Como calcular o INSS: tabela progressiva, faixas e teto (2026)

Guia completo de como calcular o INSS em 2026: tabela progressiva por faixas, alíquotas de 7,5% a 14%, teto de contribuição, alíquota efetiva, diferença para contribuinte individual e exemplo de cálculo passo a passo.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalLei 8.212/1991 / Portaria Interministerial MPS/MF / INSS
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O desconto do INSS aparece em todo contracheque e quase ninguém confere. Quando confere, costuma errar, porque a conta que parece óbvia (pegar o salário, achar a alíquota na tabela e multiplicar) não é a conta que a folha faz. O INSS do trabalhador CLT é progressivo desde 2019: o salário é fatiado, cada fatia paga a sua alíquota, e o desconto é a soma dos pedaços. Quem ignora isso superestima o próprio desconto em mais de 40% em alguns salários. Este guia mostra a tabela de 2026 faixa a faixa, o cálculo detalhado com números reais, o efeito do teto, o INSS do 13º e das férias, as regras do autônomo e o que não entra na base. Para chegar ao valor sem fazer conta, use a calculadora de INSS.

Resposta rápida

O INSS do CLT é progressivo: cada faixa do salário é tributada pela sua alíquota e as parcelas são somadas. A alíquota da tabela nunca incide sobre o salário inteiro.

  • Quatro faixas em 2026, com alíquotas de 7,5%, 9%, 12% e 14%.
  • Teto do salário de contribuição: R$ 8.475,55, com desconto máximo de R$ 988,09 por mês.
  • A alíquota efetiva é sempre menor que a nominal: R$ 3.000,00 descontam R$ 248,60, ou 8,29%, e não 12%.
  • Autônomo e facultativo não usam essa tabela: pagam 20%, 11% ou 5% sobre a base declarada.

Guia educativo com valores estimados pela tabela vigente. Não substitui a folha oficial do empregador nem orientação previdenciária individual.

O que é a contribuição do INSS e quem paga

A contribuição previdenciária é o valor que financia a Previdência Social e garante o acesso do segurado aos benefícios do INSS: aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão. Ela não é um imposto comum. O dinheiro do IRRF vai para o caixa geral da União, enquanto a contribuição do INSS compra tempo de contribuição e cria direito a benefício. Um mês sem recolhimento é um mês a menos na sua contagem.

No contrato CLT existem duas contribuições ao mesmo tempo, e é comum confundi-las. A primeira é a parte do empregado, descontada do salário pela tabela progressiva, que é o assunto deste guia. A segunda é a parte patronal, paga pela empresa por cima da folha (em geral 20% sobre a remuneração, mais RAT e terceiros), que não sai do bolso do trabalhador e nem aparece como desconto no holerite. Quem contrata pode estimar esse encargo na calculadora de custo de funcionário. Quando alguém diz que "o INSS é 28%", está somando as duas partes, o que não faz sentido do ponto de vista de quem recebe o salário.

Quem retém e recolhe é o empregador. O trabalhador não precisa emitir guia nem pagar nada por fora: o desconto sai automaticamente na folha e a empresa repassa o valor junto com a parte patronal. A obrigação de recolher é da empresa, e a falha dela não apaga o tempo de contribuição do empregado, já que o vínculo registrado prova o período. Situação bem diferente da do autônomo, que responde pelo próprio recolhimento e perde o mês se não pagar a guia.

A tabela do INSS 2026 por faixa

Os valores abaixo valem para empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, conforme a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. As faixas são reajustadas quase todo ano, normalmente em janeiro, acompanhando o salário mínimo e o INPC.

Faixa de salário de contribuiçãoAlíquota da faixaParcela máxima da faixa
Até R$ 1.621,007,5%R$ 121,57
R$ 1.621,01 a R$ 2.902,849,0%R$ 115,37
R$ 2.902,85 a R$ 4.354,2712,0%R$ 174,17
R$ 4.354,28 a R$ 8.475,5514,0%R$ 576,98

A terceira coluna é a chave para entender a progressividade e quase nunca aparece nas tabelas publicadas por aí. Ela mostra quanto cada faixa cobra no máximo, quando o salário a atravessa por inteiro. Somando as quatro parcelas máximas chega-se a R$ 988,09, que é a contribuição máxima possível de um trabalhador CLT em 2026. Nenhum salário, por maior que seja, desconta mais do que isso. A tabela completa, com o piso e o histórico de reajustes, está na tabela do INSS 2026.

Por que o INSS é progressivo e o que isso muda

Até fevereiro de 2020, o INSS funcionava como muita gente ainda imagina: uma alíquota única (8%, 9% ou 11%) aplicada sobre o salário inteiro. A Reforma da Previdência (EC 103/2019) trocou esse modelo pelo progressivo, no mesmo espírito do imposto de renda. Hoje a alíquota da tabela é a alíquota daquela fatia do salário, nunca do salário todo.

O modelo antigo tinha um defeito grave nas bordas: ganhar R$ 1,00 a mais podia fazer o trabalhador subir de alíquota e receber um líquido menor do que antes do aumento. Com a progressividade isso não acontece mais. Ao cruzar o limite de uma faixa, a alíquota maior atinge só os centavos que ultrapassaram, e não o salário inteiro. Um aumento sempre resulta em mais dinheiro na conta, ainda que a mordida cresça um pouco na parte nova.

O erro clássico da internet é pegar um salário de R$ 6.000,00, olhar a tabela, ver "14%" e concluir que o desconto é de R$ 840,00. O desconto real é de R$ 641,51. A diferença de quase R$ 200,00 por mês não vem de nenhuma regra escondida: vem de aplicar a alíquota da última faixa sobre um salário que passou por outras três antes.

Passo a passo do cálculo faixa a faixa

Vale acompanhar a conta com um salário que atravessa todas as faixas. Considere um trabalhador CLT com base de contribuição de R$ 4.500,00 em 2026.

  1. Primeira faixa (7,5%). A faixa vai até R$ 1.621,00 e o salário passa dela, então ela é preenchida por inteiro: R$ 1.621,00 × 7,5% = R$ 121,57.
  2. Segunda faixa (9%). Ela vai de R$ 1.621,01 até R$ 2.902,84, ou seja, um trecho de R$ 1.281,84. O salário também passa dela: R$ 1.281,84 × 9% = R$ 115,37.
  3. Terceira faixa (12%). Vai de R$ 2.902,85 até R$ 4.354,27, um trecho de R$ 1.451,43, novamente preenchido por inteiro: R$ 1.451,43 × 12% = R$ 174,17.
  4. Quarta faixa (14%). Aqui o salário para no meio da faixa. Só entra o que passa de R$ 4.354,27: R$ 4.500,00 menos R$ 4.354,27 = R$ 145,73. Então R$ 145,73 × 14% = R$ 20,40.
  5. Some tudo. R$ 121,57 + R$ 115,37 + R$ 174,17 + R$ 20,40 = R$ 431,51.

O desconto de R$ 431,51 sobre R$ 4.500,00 equivale a 9,59% do salário. Repare no contraste: o trabalhador "está na faixa dos 14%", mas os 14% pesaram sobre apenas R$ 145,73 do salário dele, produzindo R$ 20,40 dos R$ 431,51 totais. Quem multiplicasse R$ 4.500,00 por 14% chegaria a R$ 630,00 e erraria em quase R$ 200,00. A mesma conta, detalhada linha a linha, sai pronta na calculadora de INSS, e o efeito no que cai na conta aparece na calculadora de salário líquido CLT.

Alíquota nominal e alíquota efetiva

Essas duas expressões causam boa parte da confusão. A alíquota nominal é o percentual que está escrito na tabela para cada faixa. A alíquota efetiva é o desconto real dividido pelo salário bruto, e é ela que descreve o que de fato saiu do seu contracheque.

No exemplo anterior, a nominal da faixa mais alta atingida é 14% e a efetiva é 9,59%. Elas só coincidem em um único caso: quando o salário é exatamente igual ao limite da primeira faixa, R$ 1.621,00, que por coincidência é o salário mínimo de 2026. Aí o desconto é 7,5% sobre tudo, R$ 121,57, e a efetiva é 7,5% cravados. Em qualquer salário acima disso a efetiva fica presa entre a alíquota da primeira faixa e a da última faixa atingida, sempre mais perto do meio do que da ponta.

A efetiva tem um comportamento curioso perto do teto. Ela sobe conforme o salário aumenta, chega ao máximo de 11,66% exatamente sobre R$ 8.475,55, e depois começa a cair. Como o desconto trava em R$ 988,09 e o salário continua crescendo, o percentual encolhe: quem ganha R$ 12.000,00 tem alíquota efetiva de 8,23%, menor que a de quem ganha R$ 3.000,00. Nessa faixa da renda o INSS deixa de ser progressivo e passa a ser regressivo, o que é uma decorrência direta do teto.

O teto do INSS e o que acontece acima dele

O teto do salário de contribuição em 2026 é de R$ 8.475,55. Ele funciona como um limite duplo, e os dois lados andam juntos.

A consequência prática é direta: não existe como "contribuir mais para se aposentar com mais" dentro do regime geral. Quem quer manter na aposentadoria um padrão de vida acima do teto precisa complementar por fora, com previdência privada ou outros investimentos, que têm regras e riscos próprios e nada têm a ver com a contribuição obrigatória. As regras de tempo, idade e cálculo do valor do benefício estão no guia de regras da aposentadoria do INSS, e a simulação do tempo aparece na calculadora de aposentadoria.

Exemplos de INSS por salário em 2026

A tabela reúne o desconto e a alíquota efetiva para salários diferentes, todos calculados pela tabela progressiva de 2026. Ela deixa visível a distância entre a alíquota que a pessoa "acha que paga" e a que ela paga de verdade.

Salário brutoFaixa mais alta atingidaINSS descontadoAlíquota efetiva
R$ 1.621,007,5%R$ 121,577,5%
R$ 2.500,009%R$ 200,698,03%
R$ 3.000,0012%R$ 248,608,29%
R$ 4.500,0014%R$ 431,519,59%
R$ 6.000,0014%R$ 641,5110,69%
R$ 8.475,5514%R$ 988,0911,66%
R$ 12.000,00tetoR$ 988,098,23%

Duas linhas merecem atenção. A de R$ 8.475,55 mostra o pico da alíquota efetiva, 11,66%, que é o máximo que um CLT chega a pagar em termos percentuais. A de R$ 12.000,00 mostra o mesmo desconto de R$ 988,09 do salário anterior, agora diluído em uma renda maior, o que derruba a efetiva para 8,23%. Valores arredondados para o centavo, como na folha.

INSS sobre o 13º salário

O 13º sofre desconto de INSS, e esse é um dos pontos mais mal explicados do tema. A gratificação natalina tem base de cálculo própria: ela não se soma ao salário de dezembro para formar uma base única. As duas bases correm em paralelo e cada uma passa pela tabela progressiva desde a primeira faixa.

Para quem ganha R$ 3.000,00 e tem 13º integral, a conta é a mesma dos dois lados: R$ 248,60 sobre o salário de dezembro e outros R$ 248,60 sobre o 13º, em rubricas separadas no holerite. Não se somam os R$ 6.000,00 para depois calcular. Se fosse assim, o desconto do conjunto subiria para R$ 641,51, bem mais do que os R$ 497,20 que realmente saem.

Sobre o momento da retenção: a primeira parcela do 13º, paga até 30 de novembro, sai sem desconto de INSS. A contribuição inteira é retida na segunda parcela, paga até 20 de dezembro, o que costuma assustar quem esperava um valor cheio. Cada base tem o seu próprio teto, então quem ganha acima de R$ 8.475,55 desconta R$ 988,09 do salário e mais R$ 988,09 do 13º. Os valores da gratificação saem na calculadora de 13º salário, o detalhe do imposto na calculadora de IRRF do 13º e a regra completa no guia do 13º salário.

INSS sobre férias, horas extras e adicionais

Tudo que tem natureza salarial entra na base de contribuição do mês e passa pela tabela de uma vez só, junto com o salário. Entram nessa conta:

Um efeito prático disso: um mês de muitas horas extras empurra a base para faixas mais altas e o desconto cresce mais que proporcionalmente. Não é erro da folha nem punição por trabalhar mais, é a progressividade operando sobre uma base maior naquele mês. Como cada mês é calculado de forma independente, o mês seguinte volta ao normal se a base voltar ao normal. As férias e o terço aparecem detalhados na calculadora de férias CLT e no guia de férias CLT.

O que não entra na base de cálculo

A regra geral da Lei 8.212/1991 é a natureza da verba: o que remunera o trabalho compõe a base, o que apenas indeniza ou ressarce fica de fora. As verbas mais comuns que não sofrem INSS:

A separação importa nas contas de desligamento, onde verbas salariais e indenizatórias se misturam no mesmo recibo. Somar tudo e aplicar a tabela sobre o total infla o desconto e derruba o líquido da rescisão. A distinção já está tratada na calculadora de rescisão CLT.

INSS do autônomo, do contribuinte individual e do facultativo

Nada do que foi dito até aqui sobre progressividade vale para quem não é empregado. O contribuinte individual (autônomo, prestador de serviço, sócio que recebe pró-labore) e o segurado facultativo (quem não tem renda de trabalho, como estudante, dona de casa ou desempregado que quer manter a qualidade de segurado) seguem alíquotas fixas, aplicadas de uma vez sobre a base inteira.

A diferença de alíquota não é gratuita: o plano de 11% e o de 5% custam menos e valem menos, porque fecham a porta da aposentadoria por tempo de contribuição e limitam o benefício a um salário mínimo. Antes de escolher pelo preço, vale entender o que cada um deixa de fora. Os valores e os códigos de GPS saem na calculadora de INSS do autônomo, e a comparação entre os planos está no guia do INSS do autônomo e do facultativo.

Múltiplos vínculos e o teto único

Quem trabalha em dois empregos ao mesmo tempo tem uma regra específica que costuma passar despercebida e custar dinheiro. As remunerações dos vínculos são somadas e a tabela progressiva é aplicada sobre o total, respeitando um único teto por pessoa, e não um teto por contrato.

Alguém com dois empregos de R$ 5.000,00 tem base total de R$ 10.000,00, acima do teto, e portanto deve R$ 988,09 no conjunto, e não R$ 988,09 em cada folha. Para isso funcionar, o trabalhador precisa informar a cada empregador quanto recebe no outro vínculo, apresentando o comprovante. Sem essa comunicação, cada empresa calcula como se fosse a única e o desconto somado ultrapassa o teto. O valor pago a maior não se perde, mas volta apenas por restituição junto à Receita Federal, com pedido e prazo próprios. Avisar na hora certa evita o trabalho todo.

Erros comuns no cálculo do INSS

Limitações deste guia

Os valores aqui são estimativas baseadas na tabela vigente em 2026 e servem para conferência e estudo. A folha oficial do seu empregador é a referência final, e pequenas diferenças de centavos podem aparecer por critérios de arredondamento do sistema de folha.

Situações particulares ficam fora deste texto e mudam a conta: rescisões com verbas mistas, afastamentos, contribuições em atraso, retroativos e acordos, categorias com regime próprio (servidores estatutários), MEI (que recolhe percentual fixo sobre o salário mínimo pelo DAS) e o segurado especial rural. Contribuição previdenciária afeta direito a benefício, então dúvida sobre o seu caso concreto merece confirmação junto ao INSS ou a um profissional habilitado. Este guia é educativo e não substitui essa orientação. Nossa metodologia está em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

Calcular o INSS do CLT é fatiar o salário nas faixas da tabela, cobrar de cada fatia a alíquota dela e somar as parcelas, sempre respeitando o teto de R$ 8.475,55 e o desconto máximo de R$ 988,09. É por isso que a alíquota efetiva fica sempre abaixo da nominal, e por isso que R$ 3.000,00 descontam R$ 248,60, e não R$ 360,00. O 13º tem base separada, autônomo e facultativo seguem alíquotas fixas, e verbas indenizatórias como o aviso prévio indenizado ficam fora da conta. Confirmado isso, conferir o contracheque vira questão de dois minutos. Para a conta exata, use a calculadora de INSS, consulte a tabela do INSS 2026, veja o guia do salário líquido CLT e o guia de como calcular o IRRF, explore as demais calculadoras trabalhistas e entenda como validamos os cálculos.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (Lei 8.212/1991 / Portaria Interministerial MPS/MF / INSS). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Como calcular o INSS pela tabela progressiva?
O salário é dividido em faixas e cada faixa tem a sua própria alíquota (de 7,5% a 14% em 2026). A contribuição é a soma das parcelas: aplica-se a alíquota de cada faixa apenas sobre a parte do salário que cai dentro dela, e no fim somam-se todos os pedaços. Para um salário de R$ 3.000,00, por exemplo, são 7,5% sobre os primeiros R$ 1.621,00, mais 9% sobre a fatia seguinte e mais 12% só sobre o que sobra, o que dá R$ 248,60. Salários acima do teto contribuem apenas até o teto.
Qual é o teto do INSS em 2026?
O teto do salário de contribuição em 2026 é de R$ 8.475,55. Acima desse valor, a contribuição para de crescer e fica travada em R$ 988,09 por mês, que é a contribuição máxima. Quem ganha R$ 10.000,00, R$ 20.000,00 ou R$ 50.000,00 desconta exatamente os mesmos R$ 988,09. O benefício futuro também é limitado pelo teto: a Previdência não paga aposentadoria acima dele.
O que é a alíquota efetiva do INSS?
É o desconto total dividido pelo salário bruto. Por causa da progressividade, a alíquota efetiva é sempre menor do que a alíquota da faixa mais alta que o salário atinge. Um salário de R$ 3.000,00 chega à faixa de 12%, mas desconta R$ 248,60, ou seja, uma alíquota efetiva de 8,29%. Quem multiplica o salário inteiro por 12% chega a R$ 360,00 e erra em mais de R$ 100,00.
O INSS é 14% para quem ganha acima de R$ 4.354,28?
Não. Os 14% incidem apenas sobre a parte do salário que passa de R$ 4.354,28, e não sobre o salário inteiro. Um salário de R$ 6.000,00 desconta R$ 641,51, que é uma alíquota efetiva de 10,69%, e não os 14% que muita gente espera. A alíquota de 14% só se aproxima do desconto real em salários muito altos, e mesmo no teto a efetiva chega apenas a 11,66%.
Quanto desconta de INSS quem ganha um salário mínimo?
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00 e coincide exatamente com o limite da primeira faixa. Por isso o desconto é de 7,5% sobre o valor inteiro, ou R$ 121,57. Esse é o único caso em que a alíquota efetiva é igual à alíquota nominal, porque o salário não atravessa nenhuma faixa acima.
O INSS do contribuinte individual é igual ao do CLT?
Não. A tabela progressiva por faixas vale para empregado, doméstico e trabalhador avulso. O contribuinte individual (autônomo) e o facultativo têm regras próprias: 20% sobre o salário de contribuição declarado no plano normal, ou 11% sobre um salário mínimo no plano simplificado, ou 5% sobre um salário mínimo no facultativo de baixa renda. Nenhuma dessas alíquotas é progressiva: elas incidem de uma vez sobre a base inteira.
O INSS incide sobre o 13º salário?
Sim, mas em cálculo separado. O 13º tem base própria, independente do salário do mês, e passa pela mesma tabela progressiva do zero. Na prática, quem ganha R$ 3.000,00 desconta R$ 248,60 do salário de dezembro e mais R$ 248,60 do 13º, em rubricas distintas. A contribuição do 13º costuma ser retida integralmente na segunda parcela.
O INSS é descontado do salário bruto ou do líquido?
Do salário bruto de contribuição. O INSS é o primeiro desconto da folha: incide sobre o bruto e, só depois dele, calcula-se a base do IRRF. Por isso o INSS afeta indiretamente o imposto de renda, já que reduz a base sobre a qual o IRRF é apurado quando o trabalhador usa as deduções legais.
Horas extras e adicional noturno entram na base do INSS?
Sim. Horas extras, adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, comissões e gratificações habituais têm natureza salarial e entram na base de cálculo do INSS. Eles são somados ao salário do mês e o total passa pela tabela progressiva de uma vez, e não separadamente. Um mês com muitas horas extras pode empurrar o trabalhador para uma faixa superior.
O que não entra na base de cálculo do INSS?
Verbas de natureza indenizatória ficam de fora. As mais comuns são o aviso prévio indenizado, o vale-transporte, as férias indenizadas na rescisão, o terço de férias vendido na conversão em abono, o FGTS e a multa de 40%. A regra geral está na Lei 8.212/1991: o que remunera o trabalho entra na base, o que apenas repara ou ressarce não entra.
Como funciona o INSS de quem tem dois empregos?
As remunerações são somadas e a tabela progressiva é aplicada sobre o total, respeitando um único teto para a pessoa, e não um teto por emprego. O trabalhador precisa informar a cada empregador o valor recebido no outro vínculo para que o desconto seja calculado corretamente. Sem essa comunicação, cada empresa desconta como se fosse o único vínculo e sobra contribuição paga a maior, que depois precisa ser restituída.
Contribuir acima do teto aumenta a aposentadoria?
Não. O teto limita tanto a contribuição quanto o benefício. Ninguém contribui sobre a parte do salário que passa de R$ 8.475,55 e ninguém recebe aposentadoria do INSS acima desse patamar. Quem quer renda maior na aposentadoria precisa recorrer à previdência privada ou a outros investimentos, que seguem regras próprias e não têm relação com a contribuição obrigatória.