CDB, CDI e renda fixa: como o seu dinheiro rende

Entenda o que é CDI, o que é CDB, o que significa render 100% do CDI, a diferença entre rentabilidade bruta e líquida, o IR regressivo, a liquidez e a proteção do FGC, com exemplo de rendimento estimado.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalBanco Central / Tesouro Direto / Receita Federal / FGC
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CDB e CDI estão entre os primeiros termos que aparecem para quem sai da poupança, e também entre os mais mal explicados. Um é uma taxa de referência, o outro é um título de banco, e os dois costumam vir grudados na frase "CDB que rende 110% do CDI". Este guia destrincha o que cada coisa significa, o que muda entre o rendimento bruto e o que realmente cai na sua conta, e quais proteções existem. Os exemplos usam uma taxa redonda e declarada, para o raciocínio ficar claro. Para simular com a taxa de hoje, use a calculadora de CDB e CDI.

Resposta rápida

  • O CDI é a taxa de referência da renda fixa e anda colado na Selic; o CDB é um título de banco que costuma render um percentual do CDI.
  • Render 100% do CDI é acompanhar essa referência; 110% paga acima, 90% paga abaixo.
  • O IR é regressivo, de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), e incide só sobre o rendimento.
  • O FGC devolve até R$ 250.000 por CPF por instituição se o banco quebrar (com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos).

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento.

O que é renda fixa (e por que "fixa" não é "sem risco")

Renda fixa é o nome de todo investimento em que a regra de remuneração é conhecida quando você aplica. Você empresta dinheiro a alguém (um banco, o governo, uma empresa) e sabe de antemão como os juros serão calculados: um percentual do CDI, uma taxa fixa, ou a inflação mais uma taxa. É o oposto da renda variável, onde o retorno depende do preço de mercado e pode ser negativo. Se você ainda está decidindo quanto colocar em cada grupo, o guia de renda fixa vs renda variável trata disso em detalhe.

Saber a regra não elimina o risco. Um CDB pode não pagar se o banco quebrar, e esse é o risco de crédito. Um título prefixado ou atrelado ao IPCA pode valer menos se você vender antes do vencimento, por causa da marcação a mercado. Há ainda o risco de liquidez, quando você precisa do dinheiro e o título só paga no fim, e a perda de poder de compra, quando o rendimento não supera a inflação. Renda fixa é mais previsível que ação, não é cofre.

O que é o CDI e a relação com a Selic

Todo dia, os bancos emprestam dinheiro entre si para fechar o caixa. A taxa média desses empréstimos de um dia é o CDI. Ele nasceu como um detalhe do sistema bancário e virou a régua da renda fixa brasileira: quase todo título pós-fixado é anunciado como um percentual do CDI.

O CDI não é fixado pelo Banco Central, mas segue de perto a Selic, a taxa básica definida a cada 45 dias pelo Copom. Na prática, o CDI fica poucos centésimos abaixo da Selic, tradicionalmente por volta de 0,10 ponto percentual. Quando o Copom sobe a Selic, o CDI sobe junto; quando corta, o CDI cai. Por isso, um CDB pós-fixado rende mais em ciclo de juros altos e menos quando os juros caem. Para ver quanto um valor renderia na taxa vigente, a calculadora de quanto rende hoje parte da Selic atual.

O que é um CDB

O CDB é um título que o banco emite para captar dinheiro. Você aplica, o banco usa esse recurso nas operações dele e devolve o valor com juros no prazo combinado. Existem três formas de remuneração, e vale conhecer as três antes de comparar ofertas:

Render 100% do CDI: o que "X% do CDI" quer dizer

O percentual do CDI é o quanto da taxa de referência aquele título entrega. A tabela abaixo usa um CDI hipotético de 10,5% ao ano e uma aplicação de R$ 10.000 por 12 meses, mostrando o rendimento bruto aproximado (antes de impostos) de três ofertas comuns:

OfertaTaxa efetiva (a.a.)Rendimento bruto em 1 ano
90% do CDI9,45%~ R$ 945
100% do CDI10,50%~ R$ 1.050
110% do CDI11,55%~ R$ 1.155

A conta é direta: a taxa efetiva é o CDI multiplicado pelo percentual. Com CDI de 10,5%, um título de 110% do CDI rende 11,55% ao ano. A diferença entre 90% e 110% do CDI parece pequena no papel, mas em valores maiores e prazos longos ela cresce com os juros compostos. Os números acima são ilustrativos, porque o CDI real muda ao longo do ano. Para saber se uma oferta específica compensa, use a calculadora de CDB vale a pena.

Rentabilidade bruta e líquida: o IR regressivo

O rendimento bruto é o que o título rende antes do imposto. O líquido é o que sobra depois do IR regressivo, que incide apenas sobre o lucro e diminui conforme o prazo, contado em dias corridos:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IRIncide sobre
Até 180 dias22,5%Só o rendimento
181 a 360 dias20%Só o rendimento
361 a 720 dias17,5%Só o rendimento
Acima de 720 dias15%Só o rendimento

Um exemplo fecha a ideia. Você aplica R$ 10.000 em um CDB de 100% do CDI, com CDI de 10,5% ao ano, e deixa por 2 anos. Dois anos são cerca de 730 dias corridos, acima dos 720, então cai na alíquota de 15%. Em juros compostos, o bruto no período é de aproximadamente R$ 2.210. O IR de 15% sobre esse lucro dá cerca de R$ 332, e o líquido fica em torno de R$ 1.878, levando o saldo para perto de R$ 11.878. O imposto sai só no resgate, nunca sobre o valor aplicado. Repare no efeito do prazo: o mesmo CDB resgatado em 5 meses pagaria 22,5% de IR, quase o dobro da alíquota. Para ver a curva dos juros compostos, veja a calculadora de juros compostos.

O IOF dos primeiros 30 dias

Antes do Imposto de Renda existe outro imposto que quase ninguém paga, mas que assusta quem resgata cedo demais: o IOF. Ele incide sobre o rendimento e é regressivo por dia corrido, começando alto e zerando no 30º dia. Alguns pontos da tabela oficial (Decreto 6.306/2007):

Dia do resgateIOF sobre o rendimento
1 dia96%
15 dias50%
29 dias3%
30 dias ou mais0%

O IOF morde primeiro; o IR de 22,5% incide depois, sobre o que sobrou. Na prática, isso significa uma coisa só: não resgate CDB no primeiro mês, a não ser em emergência. Quem segura por 30 dias já escapa do IOF por completo. A calculadora de IOF na renda fixa mostra o efeito dia a dia.

Prefixado, pós-fixado e híbrido

A escolha entre os três formatos é uma aposta sobre o rumo dos juros e da inflação. No pós-fixado (percentual do CDI), você acompanha a Selic: rende mais se os juros subirem, menos se caírem. No prefixado, você trava a taxa e passa a torcer para os juros caírem, porque aí terá travado um retorno melhor que o novo cenário. No híbrido IPCA+, você garante ganho real acima da inflação, o que faz sentido para objetivos de longo prazo como aposentadoria.

Nenhum é melhor em todo cenário. O pós-fixado é o mais tranquilo para reserva de emergência, porque o valor não oscila para baixo. O prefixado e o IPCA+ podem render mais, mas sofrem marcação a mercado se vendidos antes do vencimento. O mesmo raciocínio vale para os títulos públicos, e o guia de qual título do Tesouro comprar compara Selic, Prefixado e IPCA+ na prática.

Como comparar 110% do CDI com IPCA + 6%

Essa é a dúvida que trava muita gente na corretora, e a resposta honesta é que os dois números não se comparam direto. O 110% do CDI é pós-fixado: ele só vira um valor quando você assume um CDI futuro. O IPCA + 6% é híbrido: ele só vira um valor quando você assume uma inflação futura. São premissas diferentes, então precisam ser igualadas antes.

O caminho é converter os dois para uma expectativa comum. Se você supõe um CDI de 10,5% ao ano, o CDB de 110% do CDI equivale a cerca de 11,55% ao ano. Se você supõe uma inflação de 4% ao ano, o IPCA + 6% equivale a aproximadamente 10,24% ao ano (a soma composta de 4% e 6%, não a soma simples). Nesse cenário específico, o pós-fixado sairia na frente. Mude a premissa de inflação para 6% e o IPCA+ passa a render mais. A comparação depende inteiramente do que você espera dos índices, e ninguém sabe o futuro deles com certeza.

Liquidez, vencimento e marcação a mercado

A liquidez é a facilidade de transformar o título em dinheiro. Um CDB de liquidez diária pode ser resgatado a qualquer momento, com o rendimento acumulado até ali, e é o formato ideal para reserva. Um CDB com vencimento só paga na data combinada; costuma oferecer taxa maior justamente porque prende o seu dinheiro por mais tempo.

Quando um título de taxa travada (prefixado ou IPCA+) é vendido antes do vencimento, entra a marcação a mercado: o preço é recalculado pelas taxas do dia, e pode estar acima ou abaixo do que você pagou. Se os juros subiram desde a compra, o título vale menos naquele momento; se caíram, vale mais. Levado até o vencimento, o título paga a taxa contratada e a oscilação desaparece. A calculadora de marcação a mercado ilustra esse vaivém nos títulos públicos.

O FGC: o que garante e o que não garante

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é um fundo privado mantido pelos próprios bancos que devolve o seu dinheiro se a instituição emissora quebrar. É o que dá tranquilidade para aplicar em CDB de banco que você nunca ouviu falar. Dois limites valem ao mesmo tempo:

O FGC cobre CDB, RDB, LCI, LCA, poupança e saldo em conta. Ele não cobre Tesouro Direto (que tem a garantia do próprio Tesouro Nacional), fundos de investimento, ações nem debêntures comuns. Um detalhe prático: quem tem mais de R$ 250 mil costuma dividir entre bancos diferentes para ficar coberto em cada um. As regras e valores mudam por decisão do fundo, então confirme sempre no site do FGC antes de contar com a garantia. Quem prefere a segurança soberana em vez do FGC pode comparar no guia de Tesouro Selic ou CDB.

CDB, LCI/LCA, Tesouro e poupança: a comparação líquida

O CDB é só um dos produtos de renda fixa. O quadro abaixo compara quatro aplicações para R$ 10.000 em 2 anos, com CDI de 10,5% e Selic de 10,65% ao ano (valores hipotéticos), já descontando o IR de 15% e a custódia da B3 onde ela existe. É uma comparação de rendimento líquido:

AplicaçãoImposto de RendaGarantiaLíquido em 2 anos
CDB 100% do CDI15% sobre o lucroFGC~ R$ 1.879
LCI/LCA 90% do CDIIsentoFGC~ R$ 1.979
Tesouro Selic15% + custódia 0,2% a.a.Tesouro Nacional~ R$ 1.867
PoupançaIsentaFGC~ R$ 1.272

Duas lições saltam da tabela. A primeira: a LCI de 90% do CDI, mesmo com taxa menor, supera o CDB de 100% do CDI, porque a isenção de IR vale mais que os 10 pontos de CDI a menos, neste cenário. A isenção não é uma regra automática de vitória, mas aqui ela pesa. A segunda: a poupança fica bem atrás, mesmo isenta, porque rende só uma fração da Selic. Troque as taxas e a ordem pode mudar, então rode o seu caso na calculadora comparadora de renda fixa ou compare CDB e LCI direto na calculadora de LCI e LCA. Quem está saindo do banco pode se apoiar no guia de como sair da poupança.

Risco de crédito: por que banco pequeno paga mais

Se um CDB de 100% do CDI e outro de 118% do CDI têm a mesma garantia do FGC, por que existiria o de taxa menor? A resposta é o risco de crédito. Banco grande e sólido consegue captar pagando pouco, porque muita gente confia nele. Banco menor ou mais novo precisa oferecer taxa mais alta para atrair dinheiro, e essa taxa extra é o preço do risco maior de calote.

Dentro do limite do FGC, esse risco fica bastante controlado: se o banco quebrar, o fundo devolve até R$ 250 mil por CPF. É por isso que muita gente aplica em CDB de banco pequeno sem medo, desde que respeite o teto garantido. O problema aparece acima do limite, ou quando o resgate do FGC demora, algo que pode levar semanas. Taxa alta demais quase sempre carrega um risco proporcional; não existe rendimento gordo sem contrapartida.

Come-cotas: por que o CDB não tem (e o fundo tem)

Uma confusão frequente é achar que o CDB sofre come-cotas. Não sofre. O come-cotas é uma antecipação semestral de IR que morde cotas dos fundos abertos de renda fixa em maio e novembro, mesmo que você não resgate. No CDB, o imposto só é cobrado uma vez, no resgate ou no vencimento, então os juros trabalham sobre o valor cheio até o fim.

Na prática, isso costuma dar uma pequena vantagem ao CDB sobre o fundo DI de taxa parecida, porque o dinheiro que seria adiantado ao Fisco continua rendendo. Não é uma regra absoluta (um fundo com taxa de administração baixíssima pode compensar), mas é um ponto real a favor do CDB. A calculadora de fundo DI vs CDB coloca os dois lado a lado com o efeito do come-cotas.

Erros comuns de quem sai da poupança

Antes de migrar, vale definir quanto fica na reserva e quanto vai para prazo mais longo. O guia de reserva de emergência ajuda a separar as duas caixas, e o de como começar a investir do zero dá a ordem dos passos.

Como declarar o CDB no Imposto de Renda

O imposto do CDB já é retido na fonte pelo banco no momento do resgate, então a declaração serve para prestar contas, não para pagar de novo. O informe de rendimentos que a instituição envia no início do ano traz os números prontos. A rotina é simples:

LCI, LCA e poupança, por serem isentas, entram em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. O passo a passo completo de cada produto está no guia de imposto de renda sobre investimentos, e a calculadora de IR sobre investimentos estima quanto sai de imposto em cada caso.

Limitações deste guia

Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. As taxas, o CDI, a Selic e as regras do FGC mudam com o tempo, e os exemplos usam valores hipotéticos declarados só para ilustrar o raciocínio. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura, e a escolha de qualquer aplicação depende do seu perfil, prazo e objetivos. Para estimar o seu caso com a taxa de hoje, use a calculadora de CDB e CDI e veja como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

CDI é a régua, CDB é o título, e o número que importa no fim é o rendimento líquido, depois do IR e do IOF, considerando liquidez, prazo e a garantia do FGC. Entender esses três pontos já resolve a maior parte das dúvidas de quem chega à renda fixa. Para colocar o seu caso em números, simule na calculadora de CDB e CDI, compare alternativas na comparadora de renda fixa, conheça as demais calculadoras de investimentos e veja como validamos os cálculos. Lembre: conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (Banco Central / Tesouro Direto / Receita Federal / FGC). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

O que é CDI e o que é CDB?
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos, e anda muito perto da taxa Selic. O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título: você empresta dinheiro ao banco e recebe juros. A maioria dos CDBs é remunerada como um percentual do CDI, por isso os dois termos aparecem sempre juntos.
O que significa render 100% do CDI?
Significa acompanhar integralmente a variação do CDI no período. Render 110% do CDI é melhor, porque paga acima da taxa de referência; 90% do CDI é pior. Como o CDI fica poucos centésimos abaixo da Selic, um CDB de 100% do CDI rende, na prática, quase a Selic do período, antes do Imposto de Renda.
Como funciona o IR regressivo na renda fixa?
O Imposto de Renda incide só sobre o rendimento e cai conforme o prazo, contado em dias corridos: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Por isso, segurar o título por mais tempo aumenta o líquido. A alíquota é definida na Lei 11.033/2004 e a calculadora de CDI e CDB já aplica a tabela.
Tem IOF no CDB?
Só se você resgatar nos primeiros 30 dias. O IOF é regressivo por dia corrido: começa em 96% do rendimento no primeiro dia e vai caindo até zerar no 30º dia. A partir do 30º dia não há mais IOF, e sobra apenas o Imposto de Renda. Na prática, quem segura o CDB por pelo menos um mês não paga IOF nenhum.
O que é o FGC e o que ele garante?
O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é um fundo privado que devolve o seu dinheiro se o banco emissor quebrar. Cobre CDB, RDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente, até R$ 250.000 por CPF em cada instituição ou conglomerado financeiro. Não cobre Tesouro Direto, fundos de investimento, ações nem debêntures comuns. Confirme as regras vigentes no site do FGC.
O FGC garante R$ 250 mil ou R$ 1 milhão?
Os dois limites existem ao mesmo tempo. São R$ 250.000 por CPF em cada instituição, e um teto global de R$ 1.000.000 por CPF a cada 4 anos, somando todas as instituições. Quem divide o dinheiro entre bancos diferentes fica coberto em cada um, respeitando o teto de R$ 1 milhão no período. Veja o valor e as condições atuais direto no FGC.
CDB rende mais que a poupança?
Na maioria dos casos, sim, sobretudo CDBs de 100% do CDI ou mais, mesmo depois do Imposto de Renda. A poupança rende 70% da Selic quando a Selic está em 8,5% ao ano ou menos, e 0,5% ao mês mais TR quando está acima disso. Mesmo isenta de IR, ela costuma perder para um bom CDB no rendimento líquido. Compare sempre pelo líquido, não pela isenção.
Qual a diferença entre CDB e LCI/LCA?
Os três são títulos de banco protegidos pelo FGC. A diferença principal é o imposto: o CDB tem IR regressivo sobre o rendimento, enquanto LCI e LCA são isentas de IR para pessoa física. Isso não quer dizer que a isenta sempre ganha. Um CDB com taxa mais alta pode superar uma LCI mesmo depois do imposto, então o critério é o rendimento líquido dos dois.
Como comparar 110% do CDI com IPCA + 6%?
Não dá para comparar direto, porque os dois medem coisas diferentes. O 110% do CDI é pós-fixado e depende da Selic futura; o IPCA + 6% é híbrido e paga a inflação do período mais 6% ao ano. Para colocar lado a lado, você precisa de uma expectativa de CDI e de inflação. Só com essas duas premissas o pós-fixado e o atrelado à inflação viram números comparáveis.
O que acontece se eu resgatar o CDB antes do vencimento?
Depende da liquidez. CDBs de liquidez diária podem ser resgatados a qualquer momento com o rendimento acumulado até ali. CDBs com carência só pagam no vencimento; antes disso, ou não há resgate, ou ele acontece no mercado secundário, e o valor pode vir abaixo do contratado por causa da marcação a mercado. Confira a liquidez antes de aplicar.
CDB tem come-cotas?
Não. O come-cotas é uma antecipação de IR que morde cotas dos fundos abertos de renda fixa em maio e novembro. No CDB não existe: o imposto só é cobrado no resgate ou no vencimento, uma vez. Essa é uma vantagem prática do CDB sobre o fundo DI, porque no CDB os juros incidem sobre o valor cheio até o fim.
CDB de banco pequeno é mais arriscado?
O risco de crédito é maior, e é justamente por isso que banco menor costuma oferecer um percentual do CDI mais alto: precisa pagar mais para atrair dinheiro. Dentro do limite do FGC (R$ 250 mil por CPF por instituição), o risco de perda fica bastante reduzido, porque o fundo devolve o valor coberto em caso de quebra. Acima do limite garantido, o risco volta a pesar.
Preciso declarar o CDB no Imposto de Renda?
Sim. O saldo do CDB entra na ficha de Bens e Direitos, e o rendimento do ano vai em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva. O IR já foi retido na fonte pelo banco no resgate, então você declara para prestar contas, não para pagar de novo. O informe de rendimentos que a instituição envia traz os valores prontos para copiar.
Esse guia é recomendação de investimento?
Não. O conteúdo é educativo e serve para você entender como a renda fixa funciona. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura, e a escolha de qualquer aplicação depende do seu perfil, dos seus objetivos e do prazo. Para uma decisão sob medida, procure um profissional certificado.