Bandeira tarifária: o que é e quanto pesa na conta de luz

Entenda o sistema de bandeiras tarifárias da ANEEL: verde, amarela, vermelha 1 e 2, como o adicional é cobrado por 100 kWh, por que a bandeira muda a cada mês e como estimar o impacto na sua conta de luz, com exemplo numérico.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalANEEL / bandeiras tarifárias
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Sua conta de luz veio mais cara e o consumo em kWh foi praticamente o mesmo do mês passado. Antes de suspeitar do relógio ou da geladeira, procure na fatura a linha da bandeira tarifária. Ela é um acréscimo que muda a cada mês conforme o custo de gerar energia no país, não depende da sua distribuidora e não aparece em reajuste nenhum. Este guia mostra de onde ela vem, quanto cada cor custa, como o valor é calculado e o que muda no seu bolso em cada faixa de consumo. Para somar energia, bandeira e iluminação pública de uma vez, use a calculadora de conta de luz.

Resposta rápida

  • A bandeira sinaliza o custo de gerar energia no mês. Quanto mais térmica no sistema, mais alta ela fica.
  • São quatro cores: verde (sem adicional), amarela, vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2, a mais cara.
  • O adicional é cobrado por 100 kWh consumidos, então pesa proporcionalmente mais em quem gasta mais.
  • Adicional = (consumo em kWh ÷ 100) × valor da bandeira. Valores de referência de 2024, estimativa: confirme a bandeira e o valor vigentes na ANEEL.

O que é a bandeira tarifária

A bandeira tarifária é uma parcela variável da conta de luz que a ANEEL define todo mês para repassar o custo real de gerar a energia daquele período. Ela funciona como um termômetro: a cor do mês diz se a energia que você consumiu saiu barata ou cara para o sistema elétrico brasileiro produzir.

A ideia é separar duas coisas que antes viviam misturadas. A tarifa de energia da sua distribuidora é reajustada uma vez por ano, num processo demorado, e não consegue acompanhar uma seca que começa em julho. O custo de gerar, ao contrário, muda de mês para mês. A bandeira preenche exatamente esse vão: ela cobra agora o custo que está acontecendo agora.

Por que o sistema de bandeiras foi criado

O mecanismo entrou em vigor em janeiro de 2015, depois de anos em que o custo extra da geração térmica era empurrado para frente e cobrado depois, de uma vez, dentro do reajuste anual ou por meio de empréstimos contratados pelo setor. O consumidor pagava do mesmo jeito, só que com atraso e sem entender por quê. Um reajuste de dois dígitos chegava sem aviso, referente a um custo gerado meses antes.

Com a bandeira, o custo aparece no mês em que ocorre e vem identificado na fatura. Isso tem um segundo efeito, que a ANEEL sempre coloca como objetivo explícito: dar ao consumidor um sinal de preço em tempo útil. Se o país está gastando caro para gerar energia neste mês, faz sentido que quem consome saiba disso enquanto ainda pode consumir menos, e não um ano depois.

Como se forma o preço da energia no Brasil

Para entender a bandeira, é preciso entender por que a energia brasileira tem preço tão instável. A maior parte da eletricidade do país vem de hidrelétricas. Uma vez que a usina está construída e o reservatório está cheio, gerar energia com água é barato: não há combustível para comprar. O custo variável é quase zero.

O problema é que reservatório não enche por decreto. Quando a chuva falha em uma temporada, o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa poupar água para não comprometer o abastecimento dos meses seguintes. E para poupar água sem faltar energia, o sistema aciona a fonte que estiver disponível: usinas termelétricas movidas a gás natural, carvão, óleo combustível ou biomassa.

Térmica tem combustível, e combustível custa dinheiro todo dia em que a usina roda. O megawatt-hora de uma térmica de ponta pode sair várias vezes mais caro que o de uma hidrelétrica. Alguém precisa pagar essa diferença, e esse alguém é o consumidor. A bandeira é o canal por onde essa conta chega, distribuída entre todos, proporcionalmente ao que cada um consumiu.

Isso explica o padrão sazonal que se repete quase todo ano. O período seco no Sudeste e Centro-Oeste vai aproximadamente de maio a novembro, e é nele que as bandeiras costumam subir. As chuvas de verão recompõem os reservatórios e a bandeira tende a voltar ao verde. Não é regra fixa, porque depende de quanto choveu, mas é a tendência.

As quatro bandeiras e quanto cada uma custa

O sistema regular tem quatro bandeiras. Os valores abaixo são os que a calculadora do ValorFinal usa como referência, fixados na revisão de 2024 da ANEEL. Eles são reavaliados periodicamente, então trate-os como base de estimativa e confira o valor vigente antes de uma conta que precise ser exata.

BandeiraAdicional por 100 kWhO que ela sinaliza
VerdeSem adicionalGeração barata. Reservatórios em situação confortável.
AmarelaR$ 1,885Geração um pouco mais cara. Térmicas começam a ser acionadas.
Vermelha - Patamar 1R$ 4,463Geração cara. Uso relevante de usinas térmicas.
Vermelha - Patamar 2R$ 7,877Geração muito cara. Térmicas de custo alto em operação.

Repare no salto entre os patamares. Da amarela para a vermelha 1 o adicional mais que dobra, e da vermelha 1 para a vermelha 2 ele quase dobra de novo. Não é escala linear porque o custo de geração também não é: cada térmica adicional que entra na operação é mais cara que a anterior, já que o sistema aciona primeiro as baratas.

Como o adicional é calculado

A fórmula é uma regra de três simples. O valor da bandeira é expresso por 100 kWh, então basta descobrir quantos blocos de 100 kWh você consumiu:

Consumo de 250 kWh sob bandeira vermelha patamar 1: 250 ÷ 100 = 2,5 blocos. Multiplicando por R$ 4,463, o adicional fica em R$ 11,16. Não há valor mínimo, não há teto e não há faixa: a proporção é direta do primeiro ao último kWh.

Essa proporcionalidade é o ponto que mais gera confusão. A bandeira não cobra um valor por cliente, cobra por energia consumida. Duas casas na mesma rua, sob a mesma bandeira vermelha, pagam adicionais completamente diferentes se uma consome 120 kWh e a outra 700 kWh.

Quanto a bandeira pesa em cada faixa de consumo

A tabela mostra o adicional em reais para consumos típicos de residência, calculado com os mesmos valores e o mesmo arredondamento que a calculadora do site usa.

Consumo no mêsVerdeAmarelaVermelha 1Vermelha 2
100 kWhR$ 0,00R$ 1,89R$ 4,46R$ 7,88
150 kWhR$ 0,00R$ 2,83R$ 6,69R$ 11,82
200 kWhR$ 0,00R$ 3,77R$ 8,93R$ 15,75
300 kWhR$ 0,00R$ 5,66R$ 13,39R$ 23,63
500 kWhR$ 0,00R$ 9,43R$ 22,32R$ 39,39
800 kWhR$ 0,00R$ 15,08R$ 35,70R$ 63,02

Os números têm uma leitura desconfortável e uma leitura tranquilizadora. A desconfortável: em uma casa de 500 kWh, a diferença entre um mês verde e um mês vermelho 2 chega a R$ 39,39 só de bandeira, e os tributos que incidem sobre ela ainda aumentam esse peso. A tranquilizadora: em uma casa de 150 kWh, a mesma vermelha 2 custa R$ 11,82. A bandeira raramente é a principal responsável por um susto na fatura. Na maioria dos casos, o consumo subiu, e a bandeira só piorou o quadro. Para descobrir qual aparelho puxou o consumo, vale rodar a calculadora de consumo de energia aparelho por aparelho.

Exemplo resolvido com a conta inteira

Uma casa consumiu 300 kWh no mês, paga tarifa de R$ 0,90 por kWh e tem contribuição de iluminação pública de R$ 15,00. A energia sai por 300 × 0,90 = R$ 270,00.

Sob bandeira amarela, o adicional é (300 ÷ 100) × R$ 1,885 = R$ 5,66. O total estimado fica em R$ 290,66. Sob bandeira vermelha patamar 2, o adicional sobe para R$ 23,63 e o total vai para R$ 308,63.

A diferença entre o melhor e o pior cenário de bandeira, nessa casa, é de R$ 23,63 no mês. É dinheiro, mas está longe de explicar uma conta que dobrou. Quando a fatura dobra, o responsável quase sempre é um chuveiro elétrico usado por mais tempo ou um ar-condicionado novo. A calculadora de chuveiro elétrico e a calculadora de consumo do ar-condicionado mostram esse peso em reais.

A bandeira de escassez hídrica

Em 2021 o país enfrentou a pior seca das bacias do Sudeste e Centro-Oeste em quase um século. Os reservatórios chegaram a níveis críticos e o sistema passou a operar com térmicas caras de forma quase contínua. O custo estourou o teto do que a vermelha patamar 2 conseguia cobrir.

A resposta da ANEEL foi criar, por resolução própria, uma bandeira extraordinária: a escassez hídrica, com adicional de R$ 14,20 por 100 kWh, quase o dobro da vermelha 2. Ela vigorou de setembro de 2021 a abril de 2022, quando as chuvas recompuseram os reservatórios e o sistema voltou à bandeira verde.

Ela não faz parte do sistema regular e não está entre as opções da calculadora, justamente porque foi uma medida excepcional com prazo definido. O que ela deixou como lição é que o mecanismo tem um limite: quando o custo de geração vai longe demais, a ANEEL precisa de um instrumento novo. Se outra seca extrema acontecer, é plausível que uma bandeira excepcional volte a ser criada, mas isso dependeria de uma nova resolução.

Quem define a bandeira e com que periodicidade

Quem define é a ANEEL, e a definição é mensal. O cálculo parte dos custos da operação real do sistema, que é planejada e despachada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico com base em previsão de chuva, nível dos reservatórios, demanda e disponibilidade das usinas. Com esses dados, a ANEEL enquadra o mês seguinte em uma das faixas e anuncia a cor, normalmente perto do fim do mês anterior.

A distribuidora não participa dessa decisão. Ela não escolhe a cor, não define o valor e não fica com o dinheiro do adicional. O que ela faz é aplicar na fatura o que a ANEEL determinou e repassar a arrecadação para uma conta centralizada, gerida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, de onde as usinas que geraram a energia cara são pagas.

A bandeira vale para os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado Nacional, que cobre a maior parte do país. Sistemas isolados, como algumas localidades da região Norte, têm regras próprias.

Como a bandeira aparece na fatura

A norma obriga a distribuidora a destacar a bandeira na conta. Você deve encontrar a cor aplicada no mês e o valor cobrado por ela em item separado, com um nome parecido com adicional bandeira vermelha ou adicional de bandeira tarifária, geralmente perto da linha do consumo em kWh.

Se a linha não existe, há duas explicações prováveis. A primeira, e mais comum, é que a bandeira do mês foi verde e o adicional era zero. A segunda é que o período faturado pegou parte de um mês e parte do seguinte, com bandeiras diferentes, e a distribuidora aplicou cada bandeira sobre a fração de dias correspondente. Nesse caso podem aparecer duas linhas, ou uma só com valor que não bate com a conta redonda que você fez em casa.

A bandeira não é imposto nem multa

Vale desfazer os dois mal-entendidos mais frequentes. Imposto é receita do Estado, instituída por lei e recolhida ao Tesouro para financiar despesa pública. A bandeira não tem nada disso: é uma parcela tarifária, criada por resolução da agência reguladora, que cobre um custo específico de geração e vai para as usinas que geraram, não para o caixa do governo.

Também não é punição. Você não está sendo multado por consumir demais. A bandeira vermelha é o preço da energia naquele mês, e ele subiu por um motivo físico: choveu pouco e o país precisou queimar combustível para manter a luz acesa. O adicional simplesmente distribui esse custo entre quem usou a energia, na proporção do uso.

E há um detalhe que quase ninguém nota: sem bandeira, esse custo não desapareceria. Ele voltaria mais tarde, embutido no reajuste anual da tarifa, provavelmente acrescido de juros de algum empréstimo que o setor teria contratado para cobrir o buraco no meio do caminho. A bandeira torna a cobrança mais transparente e mais imediata, não maior.

Tarifa branca não é bandeira

As duas coisas variam o preço da energia, e por isso são confundidas, mas respondem a perguntas diferentes. A bandeira responde: quanto custou gerar a energia neste mês, no país inteiro? A tarifa branca responde: em que hora do dia você consumiu?

A tarifa branca é uma opção de contrato disponível para consumidores de baixa tensão. Quem adere passa a pagar preços diferentes conforme o horário: mais caro no período de ponta, que costuma cair entre o fim da tarde e o início da noite, mais barato no período fora de ponta e nos fins de semana. Ela pode compensar para quem consegue deslocar consumo pesado para a madrugada, e pode sair pior para quem chega em casa às 18h e liga tudo.

As duas convivem. Quem está na tarifa branca continua pagando a bandeira do mês normalmente, porque uma coisa não substitui a outra. Se a tarifa branca faz sentido para você, isso depende do seu perfil de horário, e a decisão precisa ser tomada com a fatura na mão.

O que fazer quando a bandeira sobe

Como o adicional é proporcional, cada kWh que você deixa de consumir corta duas coisas ao mesmo tempo: a energia e a bandeira. Um corte de 15% no consumo derruba 15% do adicional, seja qual for a cor.

Na casa brasileira média, dois aparelhos concentram o consumo e merecem a atenção primeiro. O chuveiro elétrico tem potência alta e uso diário, e cada minuto a menos no banho aparece na fatura. O ar-condicionado pesa por tempo de uso: subir o termostato em um ou dois graus e fechar as janelas reduz o ciclo do compressor sem sacrificar o conforto.

Vale calcular antes de agir. A guia sobre consumo de energia elétrica explica como ler a potência de cada aparelho, e a guia sobre consumo de ar-condicionado detalha o caso do aparelho mais caro do verão. Para um plano geral, a guia de como economizar energia em casa reúne as medidas que valem o esforço. Quem pensa em fugir da tarifa no longo prazo pode avaliar a análise sobre energia solar valer a pena, lembrando que geração própria muda a conta de energia, mas não elimina automaticamente todas as parcelas da fatura.

Mitos comuns sobre a bandeira

A bandeira é cobrada como taxa fixa. Não é. Não existe valor por cliente. Quem consome 100 kWh paga um décimo do que paga quem consome 1.000 kWh, sob a mesma cor.

A distribuidora escolhe a bandeira. Não escolhe. A cor e o valor vêm da ANEEL, e valem igualmente para todas as distribuidoras do sistema interligado.

Bandeira verde significa conta barata. Significa apenas adicional zero. A tarifa de energia, os tributos e a iluminação pública continuam na conta, e são eles que respondem pela maior parte do valor.

A bandeira encareceu minha conta em 50%. Difícil. Pelos números da tabela, mesmo a vermelha 2 costuma representar uma fração pequena do total de uma residência típica. Salto grande na fatura quase sempre vem de consumo, mudança de tarifa ou período de leitura maior.

Erros comuns ao calcular o impacto

Multiplicar pelo consumo em vez de dividir por 100. O valor da bandeira é por 100 kWh, não por kWh. Quem multiplica 300 por 1,885 chega a R$ 565,50 e acha que descobriu um escândalo. O certo é (300 ÷ 100) × 1,885 = R$ 5,66.

Usar um valor de bandeira antigo. Os patamares são revisados por resolução e o número que você guardou de dois anos atrás provavelmente mudou. Confira na ANEEL antes de uma conta que precise ser exata.

Esquecer que o período faturado nem sempre é o mês civil. A leitura do medidor tem ciclo próprio e pode atravessar a virada do mês, pegando duas bandeiras diferentes proporcionalmente aos dias.

Ignorar os tributos. O adicional entra na base de ICMS, PIS e Cofins. O efeito no valor final é maior que o valor nominal do adicional, em percentual que varia conforme o estado.

Limitações deste guia

Os valores citados são de referência (2024) e mudam por revisão da ANEEL. Este guia é material educativo e produz estimativa, não o valor oficial da sua fatura. O número exato que você vai pagar depende da bandeira efetivamente aplicada ao seu ciclo de leitura, do seu consumo medido, da tarifa homologada da sua distribuidora e das alíquotas de tributos do seu estado, além de eventuais descontos de tarifa social. Os cálculos aqui mostram o adicional puro, sem o efeito tributário.

Diante de divergência, a fatura da distribuidora e a norma da ANEEL prevalecem sobre qualquer estimativa deste site. Para conferir cada parcela, use a calculadora de conta de luz e veja como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

A bandeira tarifária cobra hoje o custo que a geração de energia teve hoje. Verde não acrescenta nada, amarela e vermelhas somam um valor proporcional aos kWh, e a escala é decidida pela ANEEL a cada mês conforme o quanto o país precisou ligar de térmica. Saber ler essa linha na fatura evita dois erros: culpar a bandeira por uma conta que subiu por consumo, e ignorar o recado que ela dá quando fica vermelha por vários meses seguidos.

Para somar energia, bandeira e iluminação pública com a memória de cálculo aberta, use a calculadora de conta de luz. Para descobrir qual aparelho puxa o consumo, a calculadora de consumo de energia faz o mapa da casa. As demais ferramentas do tema estão nas calculadoras de energia, e quem quiser publicar a estimativa em um site próprio encontra o passo a passo na guia da calculadora de conta de luz para site.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (ANEEL / bandeiras tarifárias). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

O que é a bandeira tarifária?
É um mecanismo da ANEEL que sinaliza, mês a mês, quanto está custando gerar a energia consumida no país. Quando a geração fica mais cara, porque falta chuva nos reservatórios das hidrelétricas e o sistema precisa ligar usinas térmicas, a bandeira sobe de cor e acrescenta um valor à conta de luz. Quando a geração está barata, a bandeira é verde e não há acréscimo nenhum. O objetivo é mostrar o custo real da energia no mês em que ele acontece, em vez de escondê-lo dentro de um reajuste anual da tarifa.
Quais são as cores das bandeiras e o que cada uma significa?
São quatro no sistema em vigor: verde, que indica condições favoráveis de geração e não cobra nada a mais; amarela, que indica condições um pouco menos favoráveis e cobra um adicional moderado; vermelha patamar 1, quando a geração fica cara; e vermelha patamar 2, quando a geração fica muito cara e o adicional atinge o valor máximo. A bandeira aplicada no mês vem impressa na sua fatura, junto do valor cobrado por ela.
Como o adicional da bandeira é cobrado?
O adicional é proporcional ao consumo e definido por 100 kWh. A conta é: consumo do mês dividido por 100, multiplicado pelo valor da bandeira. Quem consumiu 300 kWh paga três vezes o valor da bandeira; quem consumiu 600 kWh paga seis vezes. Não existe valor fixo por cliente. É por isso que a mesma bandeira vermelha pesa poucos reais numa casa pequena e bem mais numa casa com ar-condicionado ligado todo dia.
Quanto custa cada bandeira?
Os valores são fixados pela ANEEL em resolução e revisados periodicamente, então mudam ao longo do tempo. Os números usados como referência neste guia e na calculadora de conta de luz do ValorFinal são os da revisão de 2024: verde sem adicional, amarela R$ 1,885 por 100 kWh, vermelha patamar 1 R$ 4,463 por 100 kWh e vermelha patamar 2 R$ 7,877 por 100 kWh. Antes de fazer uma conta precisa, confirme o valor vigente no site da ANEEL, porque uma revisão pode ter mudado o patamar.
Por que a bandeira muda todo mês?
Porque o custo de gerar energia muda todo mês. A matriz elétrica brasileira é predominantemente hidrelétrica, e água represada é a fonte mais barata do sistema. Quando chove pouco e os reservatórios baixam, o Operador Nacional do Sistema Elétrico manda ligar usinas térmicas, que queimam gás, carvão, óleo ou biomassa e custam várias vezes mais por megawatt-hora. Esse custo extra existe naquele mês específico, e a bandeira é o instrumento que o cobra naquele mês.
A bandeira tarifária é um imposto?
Não. Imposto é receita do Estado, criado por lei e recolhido ao Tesouro. A bandeira não é isso: é uma parcela tarifária que cobre um custo de geração que já existe e que seria cobrado de qualquer forma, apenas mais tarde e diluído no reajuste anual. O dinheiro arrecadado vai para uma conta centralizada, gerida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, e é usado para pagar as usinas que geraram a energia mais cara. Também não é multa: você não está sendo punido por consumir.
A bandeira incide sobre os tributos da conta?
O adicional da bandeira entra na base sobre a qual incidem ICMS, PIS e Cofins, seguindo as regras do seu estado. Na prática, o impacto final no valor que você paga fica um pouco acima do valor nominal do adicional. Se a bandeira acrescentou R$ 13,39 e a alíquota total de tributos na sua conta for próxima de 30%, o efeito no total pago passa de R$ 19,00. Por isso a estimativa deste guia é conservadora: ela mostra o adicional puro, sem o efeito tributário, que varia demais entre estados.
Como estimar o impacto da bandeira na minha conta?
Pegue o consumo em kWh que está na sua fatura, divida por 100 e multiplique pelo valor da bandeira do mês. O resultado é o adicional em reais. Para ver esse número somado à energia, à iluminação pública e aos demais acréscimos, use a calculadora de conta de luz do ValorFinal, que separa cada parcela e mostra a memória de cálculo.
Dá para escapar da bandeira vermelha?
A cor não se escolhe: ela vale para todos os consumidores atendidos pelo sistema interligado. O que dá para mudar é o quanto ela custa para você, porque o adicional acompanha os kWh. Reduzir o consumo em 20% reduz o adicional em 20%. Nos meses de bandeira vermelha, mexer no chuveiro elétrico e no ar-condicionado, que são os dois maiores vilões da casa média, derruba a tarifa e o adicional ao mesmo tempo.
O que foi a bandeira de escassez hídrica?
Foi uma bandeira extraordinária, criada pela ANEEL em 2021 durante a pior seca em quase um século nas bacias do Sudeste e Centro-Oeste. Ela cobrava R$ 14,20 por 100 kWh, quase o dobro da vermelha patamar 2, e vigorou de setembro de 2021 a abril de 2022, quando as chuvas recompuseram os reservatórios e o sistema voltou à bandeira verde. Não faz parte do sistema regular de quatro cores e só voltaria a existir se a ANEEL criasse outra bandeira excepcional por resolução própria.
Bandeira tarifária e tarifa branca são a mesma coisa?
Não, e as duas coisas convivem na mesma conta. A bandeira varia por mês e é igual para todo mundo, refletindo o custo de gerar energia no país. A tarifa branca é uma opção de contrato do consumidor de baixa tensão, em que o preço do kWh muda conforme a hora do dia: mais caro no fim da tarde e no início da noite, mais barato de madrugada e nos fins de semana. Quem adere à tarifa branca continua pagando bandeira normalmente.
Quem define a bandeira e quando ela é anunciada?
Quem define é a ANEEL, com base nos custos calculados a partir da operação do sistema, que é planejada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. O anúncio é mensal e sai perto do fim do mês anterior, valendo para o mês seguinte. A distribuidora não decide a cor nem o valor: ela apenas aplica na fatura o que a ANEEL determinou.
A bandeira aparece separada na fatura?
Sim. A regra da ANEEL obriga a distribuidora a informar na fatura qual bandeira foi aplicada e quanto ela custou, em item destacado. Se você não encontra a linha, procure por adicional de bandeira ou pelo nome da cor no detalhamento do consumo. Quando a bandeira do mês é verde, normalmente não há linha alguma, porque o adicional é zero.
Quem tem tarifa social também paga bandeira?
Os consumidores da Tarifa Social de Energia Elétrica pagam a energia com descontos escalonados por faixa de consumo, e há regras específicas de isenção que a própria ANEEL detalha. Como as condições de enquadramento e os percentuais mudam por norma, o melhor caminho é conferir a situação na página da ANEEL sobre tarifa social ou direto com a distribuidora, em vez de supor.