Consumo de energia elétrica: como calcular o kWh e o custo

Entenda o que é kWh, como a potência em watts e o tempo de uso geram consumo, e como chegar ao custo na conta de luz com a tarifa da sua distribuidora. Fórmula simples (potência em kW × horas × tarifa) e exemplo numérico.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalANEEL / física básica (kWh)
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A conta de luz não cobra pelos aparelhos que você tem, e sim pela energia que eles consomem. Essa energia é medida em kWh, e sai de uma multiplicação de três números que você consegue levantar em casa: quanta potência o aparelho puxa, por quanto tempo ele fica ligado e quanto custa cada kWh na sua distribuidora. Quem entende essa conta para de adivinhar onde o dinheiro está indo e passa a mirar nos aparelhos que realmente pesam. Para rodar os números de qualquer equipamento, use a calculadora de consumo de energia.

Resposta rápida

  • 1 kWh é manter 1.000 watts ligados por uma hora. É o que o medidor conta e o que a distribuidora cobra.
  • Consumo (kWh) = (watts ÷ 1000) × horas por dia × dias.
  • Custo = consumo (kWh) × tarifa (R$/kWh). A tarifa está na sua fatura e muda por distribuidora.
  • A fatura ainda soma bandeira tarifária, tributos, iluminação pública e o custo de disponibilidade. Os valores deste guia são estimativas para comparação, não a reprodução exata da sua conta.

O que é o kWh e por que a conta não cobra watts

Watt é potência: a velocidade com que um aparelho consome energia enquanto está ligado. Quilowatt-hora é energia: o total acumulado depois de um tempo de uso. A diferença entre as duas coisas é a mesma que existe entre a velocidade de um carro e a distância que ele percorreu. Saber que o carro andava a 100 km/h não diz quanto ele rodou, você precisa saber por quanto tempo. Com energia é igual.

Por isso a unidade da fatura tem duas grandezas grudadas no nome. O quilowatt-hora é literalmente um quilowatt mantido durante uma hora. Mil watts ligados por 60 minutos consomem 1 kWh. Os mesmos mil watts ligados por meia hora consomem 0,5 kWh. E 500 watts ligados por duas horas também consomem 1 kWh, porque o produto é o mesmo.

Essa é a razão de o chuveiro elétrico e a geladeira serem casos opostos e igualmente instrutivos. O chuveiro tem potência enorme e tempo de uso minúsculo. A geladeira tem potência pequena e tempo de uso praticamente infinito. Nenhum dos dois pode ser julgado só pela etiqueta: o que decide é o produto potência × tempo.

A fórmula do consumo, passo a passo

A conta que a calculadora de consumo de energia executa tem quatro passos e nenhuma pegadinha:

  1. Levante a potência em watts do aparelho (a próxima seção mostra onde encontrar).
  2. Divida por 1000 para converter watts em quilowatts. São 1.000 W em 1 kW, sempre.
  3. Multiplique pelas horas de uso por dia e pelos dias do período. O resultado é o consumo em kWh.
  4. Multiplique pela tarifa em R$/kWh para chegar ao custo.

Escrito de uma vez só: kWh = (W ÷ 1000) × horas por dia × dias e custo = kWh × tarifa. Se preferir converter unidades antes (de CV, HP ou BTU para watts, por exemplo), o conversor de potência resolve a etapa.

Ao longo deste guia, a tarifa de referência é R$ 0,85 por kWh e o mês tem 30 dias. É um valor de exemplo, escolhido para deixar as comparações no mesmo padrão. A sua tarifa real está impressa na fatura e varia bastante entre distribuidoras e estados, então troque esse número pelo seu ao refazer as contas.

Como descobrir a potência do aparelho

Esse é o dado que trava a maioria das pessoas, e ele quase sempre está mais perto do que parece. Vale procurar nesta ordem:

Um aviso sobre o ar-condicionado, que é onde mais gente erra: BTU não é potência. BTU/h mede a capacidade de refrigeração, e o consumo elétrico é outro número, bem menor, que aparece na etiqueta como potência ou como consumo em kWh. Um aparelho de 9.000 BTU não consome 9.000 W. O guia de consumo de ar-condicionado detalha essa relação.

Potência típica e consumo mensal dos aparelhos comuns

A tabela abaixo usa as potências típicas da base de referência do ValorFinal (versão 2026-06, com base em dados Procel/INMETRO e especificações de fabricantes) e aplica a mesma fórmula da calculadora, com tarifa de R$ 0,85 por kWh e mês de 30 dias. A coluna de faixa mostra a variação encontrada no mercado: dentro de uma mesma categoria, modelos diferentes consomem coisas bem diferentes.

AparelhoPotência típicaFaixa de mercadoUso consideradoConsumo/mêsCusto/mês
Chuveiro elétrico5.500 W4.400 a 7.700 W30 min por dia82,5 kWhR$ 70,13
Ar-condicionado 9.000 BTU900 W750 a 1.100 W8 h por dia216 kWhR$ 183,60
Ar-condicionado 12.000 BTU1.200 W1.000 a 1.450 W8 h por dia288 kWhR$ 244,80
Secadora de roupa2.500 W1.500 a 3.500 W30 min por dia37,5 kWhR$ 31,88
Geladeira150 W90 a 300 W8 h equivalentes por dia36 kWhR$ 30,60
Freezer200 W100 a 350 W8 h equivalentes por dia48 kWhR$ 40,80
Computador desktop200 W100 a 500 W6 h por dia36 kWhR$ 30,60
Ventilador100 W50 a 130 W8 h por dia24 kWhR$ 20,40
Forno elétrico1.500 W1.000 a 2.200 W30 min por dia22,5 kWhR$ 19,13
Ferro de passar1.200 W1.000 a 1.800 W30 min por dia18 kWhR$ 15,30
Máquina de lavar roupa500 W300 a 1.500 W1 h por dia15 kWhR$ 12,75
TV LED100 W50 a 250 W5 h por dia15 kWhR$ 12,75
Notebook65 W30 a 120 W6 h por dia11,7 kWhR$ 9,95
Micro-ondas1.300 W700 a 1.500 W15 min por dia9,75 kWhR$ 8,29
Secador de cabelo1.800 W1.000 a 2.200 W10 min por dia9 kWhR$ 7,65
Lâmpada incandescente60 W40 a 100 W5 h por dia9 kWhR$ 7,65
Lâmpada LED10 W5 a 20 W5 h por dia1,5 kWhR$ 1,27

Somados, os 17 itens da tabela dariam 879,45 kWh no mês. Ninguém tem exatamente esse conjunto nem exatamente esses hábitos, então o número não é a sua conta: a tabela serve para ordenar os aparelhos por peso e mostrar onde vale gastar atenção. Para estimar a fatura fechada a partir do consumo total, use a calculadora de conta de luz.

Exemplo resolvido: o chuveiro elétrico

Um chuveiro de 5.500 W ligado 30 minutos por dia durante 30 dias:

Agora troque um único número. Banhos de 8 minutos por dia em vez de 30, com o mesmo chuveiro, dão 22 kWh e R$ 18,70 no mês. A diferença de R$ 51,43 por mês veio só do relógio, sem trocar de aparelho nem mexer na temperatura. É por isso que o tempo de banho aparece em toda lista de economia. A calculadora do chuveiro elétrico faz essa simulação com o número de banhos e de moradores da sua casa.

Exemplo resolvido: a geladeira e o truque das horas equivalentes

A geladeira fica na tomada 24 horas por dia, mas o compressor não roda 24 horas por dia. Ele liga, resfria, desliga e espera a temperatura subir de novo. Multiplicar a potência por 24 h dá um número muito acima do real.

A saída é usar horas equivalentes: o tempo em que o compressor efetivamente rodou. Uma geladeira em bom estado, em uma cozinha de temperatura normal, costuma trabalhar perto de um terço do tempo, o que dá em torno de 8 horas equivalentes por dia. Com a potência típica de 150 W:

A mesma lógica de horas equivalentes vale para freezer, ar-condicionado com termostato e bomba d'água. Nesses casos, a estimativa por fórmula tem margem de erro maior, e a medição direta com wattímetro é bem mais confiável. A porta aberta com frequência, a borracha de vedação ressecada e o aparelho encostado na parede fazem o compressor rodar mais tempo, e o consumo sobe sem que a potência mude.

Potência alta não significa conta alta

Vale comparar dois extremos da tabela. O chuveiro tem 5.500 W e gasta R$ 70,13 por mês com meia hora diária. A geladeira tem 150 W, quase 37 vezes menos potência, e gasta R$ 30,60. A distância entre os dois na conta é muito menor que a distância entre eles na etiqueta, justamente porque a geladeira acumula horas.

Isso muda a estratégia de quem quer economizar. Em aparelhos de potência alta e uso curto (chuveiro, secador, ferro, forno), o que rende é reduzir o tempo. Em aparelhos de potência baixa e uso contínuo (geladeira, freezer, iluminação), o que rende é trocar por um modelo mais eficiente ou melhorar as condições de funcionamento, porque o tempo você não vai cortar. O guia de como economizar energia em casa desdobra essas duas frentes.

O que compõe a tarifa que você paga

A tarifa em R$/kWh não é o preço da energia. Ela é um bolo de quatro camadas, e só uma delas é a eletricidade em si:

Fora da tarifa, ainda entram na fatura a contribuição de iluminação pública, cobrada pelo município e apenas arrecadada pela distribuidora, e a bandeira tarifária do mês.

Há também o custo de disponibilidade, que costuma pegar de surpresa quem tem imóvel vazio ou gera a própria energia. Pela regulação da ANEEL, o consumidor de baixa tensão paga no mínimo o equivalente a 30 kWh em ligação monofásica, 50 kWh em bifásica e 100 kWh em trifásica, mesmo que consuma menos que isso. É o custo de manter a rede disponível na porta. Quem está avaliando painéis solares precisa considerar esse piso: ele não desaparece com a geração própria. O guia sobre energia solar valer a pena e a calculadora de energia solar tratam do assunto.

Bandeiras tarifárias: o acréscimo é por 100 kWh

A bandeira é o sinal de custo que a ANEEL define mês a mês conforme as condições de geração. Um detalhe que confunde bastante: o adicional é cobrado por 100 kWh consumidos, não por kWh. Ler o valor da bandeira como se fosse por kWh infla a estimativa em cem vezes.

BandeiraAdicional por 100 kWhAcréscimo em 200 kWhQuando é acionada
VerdeR$ 0,00R$ 0,00Condições favoráveis de geração
AmarelaR$ 1,89R$ 3,77Geração um pouco mais cara
Vermelha - Patamar 1R$ 4,46R$ 8,93Acionamento de termelétricas
Vermelha - Patamar 2R$ 7,88R$ 15,75Reservatórios baixos e geração bem cara

Valores da referência 2024-07 da ANEEL, usados como base de estimativa. Tanto a bandeira vigente quanto os valores de cada patamar são revisados periodicamente, então confirme o mês atual no site da ANEEL antes de usar o número para qualquer decisão. O guia sobre o que é bandeira tarifária explica o mecanismo em detalhe.

Repare na ordem de grandeza: mesmo na bandeira mais cara, o acréscimo em 200 kWh é de R$ 15,75. A bandeira encarece a conta, mas não é ela que explica uma fatura que dobrou. Quando a conta dá um salto grande, a causa quase sempre está no consumo, e não no sinal tarifário.

Como ler o medidor e conferir a fatura

O medidor não mostra o consumo do mês. Ele mostra um número acumulado desde que foi instalado, como o hodômetro de um carro. O consumo de um período é a diferença entre duas leituras.

Esse acompanhamento resolve uma dúvida que a estimativa por aparelho não resolve. Se você suspeita de consumo fantasma, desligue tudo no quadro por algumas horas, com o disjuntor geral, e veja se o medidor continua andando. Se andar com a casa toda desligada, o caso é de chamar a distribuidora.

Consumo em standby

Aparelhos desligados no botão mas plugados na tomada continuam puxando alguns watts para manter relógio, sensor de controle remoto ou espera de rede. É pouco, mas roda 24 horas por dia, 30 dias por mês.

Um aparelho de 3 W em espera o mês inteiro consome 2,16 kWh, ou R$ 1,84. Parece nada. Uma casa com oito aparelhos nessa condição (TV, decodificador, som, micro-ondas, videogame, roteador, carregadores) chega perto de R$ 14,72 por mês, ou R$ 176,64 por ano, sem ninguém usar nada.

Uma régua com interruptor no rack da TV resolve boa parte disso com um gesto só. Vale a ressalva: o roteador desligado derruba a internet e a geladeira obviamente não entra nessa lista. Standby é dinheiro sem contrapartida, mas é um ganho de margem, não a solução para uma conta alta.

Mitos comuns sobre consumo de energia

Como medir com um wattímetro

A fórmula estima. O wattímetro de tomada mede. É um aparelho barato, que entra entre a tomada e o plugue do equipamento e mostra a potência instantânea em watts, o acumulado em kWh e, em alguns modelos, o custo se você programar a tarifa.

Duas limitações honestas: wattímetros de tomada não servem para chuveiro nem para o ar-condicionado ligado direto no disjuntor, porque esses circuitos não passam por tomada comum. E medidores muito baratos erram em cargas de potência baixa, justamente a faixa do standby. Para essas leituras, o número serve como ordem de grandeza.

Erros comuns ao estimar o consumo

Limitações deste guia

Os valores aqui são estimativas educacionais e não reproduzem a sua fatura. As potências vêm de uma base de referência de valores típicos de mercado (Procel/INMETRO e especificações de fabricantes), e o seu aparelho pode estar em qualquer ponto da faixa mostrada na tabela, dependendo de modelo, idade, classe de eficiência e tecnologia. Aparelhos inverter modulam a potência e costumam consumir menos que a conta simples indica.

A tarifa de R$ 0,85 por kWh é um valor de exemplo, não a sua. As bandeiras usam a referência 2024-07 da ANEEL e são revisadas periodicamente, além de a bandeira vigente mudar todo mês. O tempo de uso é a maior fonte de erro de todas, porque é o número que você estima de cabeça. Para decisões que envolvem dinheiro (trocar um equipamento, dimensionar um sistema solar, contestar uma fatura), meça em vez de estimar e confirme os valores na sua distribuidora. Nada aqui substitui a análise de um profissional habilitado em instalações elétricas. Veja também como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

Todo o consumo de energia da sua casa cabe em (watts ÷ 1000) × horas × dias, e o custo em kWh × tarifa. O que separa quem controla a conta de quem apenas a recebe é saber que potência sozinha não diz nada: o chuveiro de 5.500 W e a geladeira de 150 W terminam o mês mais perto um do outro do que a etiqueta sugere. Levante a potência real dos seus aparelhos, seja honesto no tempo de uso, pegue a tarifa na fatura e refaça as contas com os seus números.

Para rodar cada aparelho, use a calculadora de consumo de energia; para o ar-condicionado, a calculadora de consumo do ar-condicionado; e para fechar a fatura a partir do consumo total, a calculadora de conta de luz. Conheça também as demais calculadoras de energia e veja como validamos os cálculos.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (ANEEL / física básica (kWh)). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

O que é kWh?
O kWh (quilowatt-hora) é a unidade de energia usada na conta de luz. Um kWh equivale a manter 1.000 watts ligados durante uma hora. É o que o medidor da casa registra e o que a distribuidora cobra: a conta não olha a potência do aparelho isoladamente, e sim a potência multiplicada pelo tempo que ele ficou ligado.
Qual a fórmula para calcular o consumo de um aparelho?
Consumo em kWh = (potência em watts ÷ 1000) × horas de uso por dia × dias de uso. Para o custo, multiplique pela tarifa: Custo = kWh × tarifa. Um aparelho de 100 W usado 5 horas por dia durante 30 dias consome (100 ÷ 1000) × 5 × 30 = 15 kWh no mês. A uma tarifa de R$ 0,85 por kWh, isso dá R$ 12,75.
Por que a conta cobra energia (kWh) e não potência (W)?
Porque potência é velocidade de consumo e energia é o total consumido. Um chuveiro de 5.500 W puxa muita energia por segundo, mas se ficar ligado 5 minutos gasta pouco no total. Uma lâmpada de 10 W puxa pouquíssimo por segundo, mas ligada o mês inteiro acumula. O que a distribuidora vende é o acumulado, e por isso a unidade da fatura mistura potência e tempo: quilowatt vezes hora.
Como descubro a potência de um aparelho?
Procure nesta ordem: a etiqueta ou plaqueta colada no próprio aparelho (costuma trazer W ou kW), o manual e a caixa. Muitos eletrodomésticos vendidos no Brasil trazem a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do INMETRO, que informa o consumo mensal em kWh já medido em ensaio padronizado. Se a placa só informa tensão (V) e corrente (A), a potência aproximada é volts × amperes.
Qual aparelho mais consome energia em casa?
Depende de qual pergunta você está fazendo. Em potência instantânea, o campeão é o chuveiro elétrico (5.500 W típicos). Em consumo mensal, quem costuma liderar é o ar-condicionado, porque soma potência alta com muitas horas ligado. A geladeira tem potência modesta (150 W), mas funciona o ano inteiro e por isso aparece na conta de todo mundo. Aparelhos que geram calor ou frio dominam a lista.
Quanto gasta um chuveiro elétrico por mês?
Um chuveiro de 5.500 W usado 30 minutos por dia consome 82,5 kWh em 30 dias, ou R$ 70,13 a uma tarifa de R$ 0,85 por kWh. Reduzindo o banho para 8 minutos por dia, o mesmo chuveiro cai para 22 kWh, ou R$ 18,70. O tempo debaixo do chuveiro é a variável que mais mexe nesse número.
Por que minha conta é maior que a soma estimada dos aparelhos?
Porque a soma dos aparelhos estima apenas o consumo em kWh. Sobre esse consumo ainda incidem a bandeira tarifária do mês, os tributos (ICMS, PIS e Cofins), a contribuição de iluminação pública cobrada pelo município e, em meses de consumo muito baixo, o custo de disponibilidade. A tarifa também varia por distribuidora e por classe de consumo. A estimativa por aparelho serve para saber onde a energia está indo, não para reproduzir a fatura centavo a centavo.
O que são as bandeiras tarifárias?
São um sinal de custo definido mensalmente pela ANEEL. A bandeira verde não tem acréscimo. As demais cobram um valor por 100 kWh consumidos, e não por kWh: na referência de 2024-07, a amarela adiciona R$ 1,89 a cada 100 kWh, a vermelha patamar 1 adiciona R$ 4,46 e a vermelha patamar 2 adiciona R$ 7,88. Em um mês de 200 kWh sob bandeira vermelha patamar 2, isso soma R$ 15,75 à conta.
Deixar aparelhos em standby gasta energia?
Sim, pouco por aparelho e o tempo todo. TVs, micro-ondas com relógio, decodificadores e fontes ligadas na tomada consomem alguns watts em espera. Um aparelho de 3 W em standby 24 horas por dia gasta 2,16 kWh no mês, ou R$ 1,84. Oito aparelhos assim chegam perto de R$ 14,72 por mês. Não é o que quebra a conta, mas é dinheiro saindo sem uso nenhum.
É verdade que deixar a luz ligada gasta menos que ligar e desligar?
Não. O pico de corrente ao ligar uma lâmpada dura frações de segundo e representa uma fração desprezível do consumo. Deixar ligado gasta continuamente; desligar gasta zero. A regra prática é simples: se você vai sair do ambiente, apague. O mito nasceu de lâmpadas fluorescentes antigas, cujo acendimento frequente reduzia a vida útil do reator, o que era uma questão de durabilidade da peça, e não de consumo de energia.
Como medir o consumo real de um aparelho?
Com um wattímetro de tomada. Você pluga o medidor na tomada, o aparelho no medidor, e ele mostra a potência instantânea em watts e o acumulado em kWh. Para aparelhos que ligam e desligam sozinhos, como geladeira e ar-condicionado, deixe o medidor acumulando por vários dias e divida o total pelo número de dias: só assim o ciclo do compressor entra na medição. Para aparelhos de uso constante, a leitura instantânea já basta.
Vale a pena trocar lâmpadas incandescentes por LED?
Na conta, sim, e a diferença é grande. Uma incandescente de 60 W acesa 5 horas por dia consome 9 kWh por mês (R$ 7,65). Uma LED de 10 W com brilho equivalente consome 1,5 kWh (R$ 1,27). São R$ 6,38 por mês por lâmpada, além da vida útil bem maior. Em uma casa com dez pontos de luz, a troca costuma se pagar em poucos meses.
Como leio o medidor de energia da minha casa?
O medidor mostra um número acumulado desde a instalação, não o consumo do mês. Para saber o consumo de um período, anote a leitura em um dia e de novo depois: a diferença entre as duas é o consumo em kWh do intervalo. Nos medidores digitais o número aparece direto no visor. Nos eletromecânicos de ponteiros, leia da esquerda para a direita e, quando o ponteiro estiver entre dois números, considere sempre o menor.