Consumo de ar-condicionado: quanto custa por mês

Entenda como estimar o consumo do ar-condicionado: a relação entre BTU e potência, as horas de uso, a tarifa de energia e a influência da temperatura, do ambiente e da manutenção, com exemplo numérico do gasto mensal.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalANEEL / Procel / física básica
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Chega o verão, o ar-condicionado passa a rodar oito, dez, doze horas por dia, e a conta de luz dobra sem aviso. A parte boa é que esse gasto é um dos mais previsíveis da casa: dá para estimar com três números que você já tem em mãos, a potência do aparelho, as horas de uso e a tarifa da sua distribuidora. Neste guia você vê por que o BTU não diz nada sobre consumo, como dimensionar o aparelho pelo cômodo, o que o inverter muda de fato, e quanto custa cada faixa de BTU por mês, com as contas resolvidas em reais. Para rodar o cálculo com os seus dados, use a calculadora de consumo de ar-condicionado.

Resposta rápida

  • BTU é capacidade de refrigeração, não consumo. Quem define a conta é a potência em watts da etiqueta.
  • Consumo (kWh) = (watts ÷ 1000) × horas por dia × dias e custo = kWh × tarifa. Sem mistério.
  • Exemplo resolvido: split de 12.000 BTU e 1.200 W, 8 h/dia por 30 dias = 288 kWh, ou R$ 244,80 a R$ 0,85/kWh.
  • Inverter, termostato em 23 a 24 graus, filtro limpo e cômodo bem vedado atacam os quatro pontos que mais pesam.

BTU mede capacidade de refrigeração, não consumo

O BTU (British Thermal Unit) é uma unidade de energia térmica, e a sigla que aparece nos aparelhos, apesar de escrita só como "BTU", é na verdade BTU/h: quanto calor o equipamento consegue retirar do ambiente em uma hora. Um 12.000 BTU tira o dobro de calor por hora de um 6.000 BTU. Isso responde a uma pergunta, "esse aparelho dá conta do meu cômodo?", e não responde a outra, "quanto vou pagar?".

A confusão nasce porque as duas coisas andam juntas na média do mercado: aparelhos maiores costumam puxar mais energia. Mas a relação não é fixa. Dois modelos de 12.000 BTU de eficiências diferentes podem exigir potências elétricas bem distintas para entregar a mesma refrigeração, e é exatamente essa diferença que a etiqueta de eficiência tenta comunicar. Se BTU e consumo fossem a mesma coisa, o selo Procel não faria sentido.

Guarde a distinção assim: BTU/h é o que sai (calor removido do cômodo) e watt é o que entra (energia elétrica puxada da tomada). Você paga pelo que entra. A conta de luz cobra kWh, e kWh vem de watts multiplicados por tempo, como explica o guia de consumo de energia elétrica.

Onde encontrar a potência real do seu aparelho

A potência em watts está na etiqueta de dados do equipamento, geralmente colada na lateral da unidade interna, e também no manual e na etiqueta ENCE do INMETRO que vem na caixa. Procure por "potência nominal", "potência de entrada" ou o campo em W da refrigeração. Se a etiqueta trouxer apenas a corrente em ampères, a potência aproximada em uma rede monofásica é a corrente multiplicada pela tensão: 6 A em 220 V dão cerca de 1.320 W. Para conversões entre unidades de potência, o conversor de potência resolve.

Sem a etiqueta em mãos, dá para começar pelas potências típicas por capacidade, que são as mesmas que a calculadora do ValorFinal oferece como atalho: cerca de 900 W para 9.000 BTU, 1.200 W para 12.000 BTU, 1.800 W para 18.000 BTU e 2.400 W para 24.000 BTU. São valores orientativos de modelos convencionais, com faixas reais de 750 a 1.100 W, 1.000 a 1.450 W, 1.500 a 2.100 W e 2.000 a 2.900 W respectivamente. Modelos inverter operam boa parte do tempo abaixo desses números.

A fórmula do consumo, passo a passo

O cálculo tem duas etapas e nenhuma delas precisa de calculadora científica:

O quilowatt-hora é literalmente isso: um quilowatt mantido por uma hora. É a unidade que a distribuidora cobra, e é por isso que o tempo de uso pesa tanto quanto a potência. Dobrar as horas dobra a conta com a mesma força que dobrar a potência do aparelho.

A tarifa a usar é a da sua fatura, não uma média nacional. Ela varia por distribuidora e por estado, e nas contas deste guia adotamos R$ 0,85/kWh como referência para os exemplos ficarem comparáveis. Para trabalhar com a composição completa da fatura, incluindo tributos e bandeira, veja a calculadora de conta de luz.

Exemplo resolvido: split de 12.000 BTU

Um quarto de casal com um split de 12.000 BTU e 1.200 W de potência, ligado 8 horas por noite, 30 dias no mês, com tarifa de R$ 0,85/kWh:

Para dar escala: 288 kWh é o consumo mensal inteiro de muitas residências pequenas. Um único aparelho pode, sozinho, dobrar a fatura de uma casa que gastava 250 kWh no inverno. É por isso que a conta de janeiro assusta quem nunca fez essa multiplicação.

Se o mesmo aparelho ficar ligado só nas noites de fim de semana, 8 horas em 8 dias, o consumo cai para 1,2 × 8 × 8 = 76,8 kWh, ou R$ 65,28. Mesma potência, mesma tarifa, conta três vezes e meia menor. O que mudou foi apenas o tempo.

Quanto custa cada faixa de BTU por mês

A tabela abaixo aplica a fórmula às potências típicas de aparelhos convencionais, no mesmo cenário: 8 horas por dia, 30 dias e R$ 0,85/kWh. Modelos inverter e modelos classe A tendem a ficar abaixo desses valores.

CapacidadePotência típicaFaixa usualConsumo/mêsCusto/mês
9.000 BTU900 W750 a 1.100 W216 kWhR$ 183,60
12.000 BTU1.200 W1.000 a 1.450 W288 kWhR$ 244,80
18.000 BTU1.800 W1.500 a 2.100 W432 kWhR$ 367,20
24.000 BTU2.400 W2.000 a 2.900 W576 kWhR$ 489,60

Repare que o custo cresce quase na mesma proporção da capacidade, porque a potência acompanha. Isso derruba um raciocínio comum: comprar um aparelho maior "para esfriar mais rápido e desligar antes" raramente economiza, já que o ganho de tempo é pequeno perto do salto de potência.

O peso de cada hora a mais

Como as horas multiplicam tudo, vale ver o efeito isolado delas. A tabela usa o mesmo split de 12.000 BTU e 1.200 W, com 30 dias de uso e tarifa de R$ 0,85/kWh, variando apenas o tempo diário:

Horas por diaConsumo/mêsCusto/mêsUso típico
4 h144 kWhR$ 122,40só para dormir, com timer
6 h216 kWhR$ 183,60noite parcial
8 h288 kWhR$ 244,80noite inteira
10 h360 kWhR$ 306,00home office parcial
12 h432 kWhR$ 367,20dia de trabalho mais noite
24 h864 kWhR$ 734,40ligado sem parar

Cortar duas horas por dia de um uso de 10 horas economiza R$ 61,20 no mês nesse cenário. É a alavanca mais barata que existe, porque não custa nada além de programar o timer. Para comparar esse gasto com o dos outros aparelhos da casa, a calculadora de consumo de energia aceita qualquer equipamento.

Como dimensionar os BTUs pelo cômodo

Dimensionar é achar a capacidade que cobre a carga térmica do ambiente, ou seja, todo o calor que entra e que é gerado ali dentro. A regra prática mais usada parte da área e corrige pelo resto:

Um quarto de 15 m² com sol da tarde, duas pessoas e uma TV: 15 × 800 = 12.000, mais 600 pela segunda pessoa, mais 600 pela TV, dá 13.200 BTU/h. Nesse caso, o 12.000 fica no limite e o 18.000 é a escolha segura. Já um quarto de 12 m² sem sol direto, com uma pessoa, pede 12 × 600 = 7.200 BTU/h, e o 9.000 resolve com folga.

CapacidadeÁrea de referênciaAmbiente típicoAtenção
9.000 BTUaté cerca de 12 m²quarto de solteiro, escritório pequenosol da tarde já pede a faixa acima
12.000 BTU15 a 20 m²quarto de casal, sala pequenaduas pessoas e TV consomem a folga
18.000 BTU25 a 30 m²sala de estar, sala comercialambiente integrado com cozinha pesa mais
24.000 BTUa partir de 35 m²sala ampla, loja, salãoacima disso, avaliar dois aparelhos

Essas faixas são ponto de partida, não projeto. Ambientes com muita vidraça, cobertura exposta, ocupação alta ou uso comercial merecem cálculo de carga térmica por profissional habilitado, que considera orientação solar, materiais e renovação de ar.

Convencional e inverter: o que muda de verdade

O compressor é o componente que consome quase toda a energia do aparelho. A diferença entre as duas tecnologias está em como ele é controlado.

No convencional (on/off), o compressor tem dois estados: ligado em rotação fixa e máxima, ou desligado. Ele liga em carga total, derruba a temperatura abaixo do ajustado, desliga, deixa o ambiente esquentar um pouco, e liga de novo em carga total. A temperatura do cômodo oscila em torno do valor escolhido, e cada partida do motor tem um pico de corrente.

No inverter, um circuito eletrônico varia a frequência de alimentação do motor e, com ela, a rotação do compressor. O aparelho começa forte para puxar a temperatura, e quando chega ao ponto ajustado ele não desliga: reduz a rotação e passa a trabalhar em potência parcial, apenas o suficiente para compensar o calor que entra pelas paredes e frestas. Manter estável custa muito menos do que reconquistar a temperatura do zero várias vezes por hora.

Daí vêm os três efeitos práticos do inverter: consumo médio menor em uso longo, temperatura mais constante (sem a sensação de frio e calor alternados) e menos ruído nas fases de operação parcial. A contrapartida é o preço de compra maior e uma eletrônica mais complexa. Em uso muito curto e esporádico, a vantagem encolhe, porque o aparelho passa quase todo o tempo na puxada inicial, que é a fase em que as duas tecnologias mais se parecem.

Fazendo a conta do inverter

Em vez de aceitar a promessa genérica de economia, rode os dois cenários na mesma fórmula. Suponha um 12.000 BTU convencional de 1.200 W e um inverter equivalente cuja potência média, ao longo do uso, fique em 700 W. Com 8 h/dia, 30 dias e R$ 0,85/kWh:

Se o verão de uso pesado durar quatro meses, a diferença anual fica em torno de R$ 408,00 nessa hipótese. Uma diferença de preço de R$ 800,00 entre os dois modelos se pagaria em cerca de dois verões. Troque os números pelos seus na calculadora de consumo de ar-condicionado e a conta sai em segundos. Vale insistir num ponto: a potência média do inverter não vem escrita na etiqueta, ela depende do seu ambiente, então trate os 700 W como cenário e não como dado do fabricante.

Selo Procel e a etiqueta do INMETRO

Todo ar-condicionado vendido no Brasil traz a etiqueta ENCE do Programa Brasileiro de Etiquetagem, coordenado pelo INMETRO, com uma classificação de eficiência energética. O selo Procel, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, é concedido aos modelos que se destacam entre os mais eficientes da categoria nos mesmos ensaios.

A eficiência de um ar-condicionado é expressa por um índice que relaciona a capacidade de refrigeração com a energia elétrica consumida, em W/W. Quanto maior o índice, mais frio o aparelho entrega por watt gasto. Para os modelos de rotação variável, o índice sazonal considera o desempenho em diferentes condições de carga ao longo da temporada, e não apenas em um ponto único de ensaio, justamente porque um inverter passa boa parte do tempo em carga parcial.

A etiqueta também costuma trazer um consumo estimado em kWh por mês. Esse número vale para a condição padronizada de ensaio, que dificilmente é o seu uso real. Use-o para comparar modelos entre si, e use a fórmula deste guia, com as suas horas e a sua tarifa, para estimar a sua conta.

A temperatura escolhida muda a conta

O termostato não é um acelerador. Ele apenas diz ao aparelho quando parar de refrigerar. Ajustar 18 graus não faz o cômodo esfriar mais depressa do que ajustar 23: o aparelho remove calor na mesma capacidade nos dois casos. O que muda é o ponto de chegada, e o esforço para se manter lá.

A física por trás é direta: o calor entra pelas paredes, pelo teto e pelas frestas em proporção à diferença de temperatura entre dentro e fora. Num dia de 32 graus, manter 24 dentro significa segurar uma diferença de 8 graus. Manter 20 significa segurar 12 graus, metade a mais de diferença, e o compressor precisa remover continuamente mais calor para compensar. Não existe percentual universal por grau, porque isolamento, insolação e ocupação mudam tudo, mas a direção não tem exceção: quanto mais baixo o ajuste, mais tempo em carga alta e mais kWh.

Na prática, 23 a 24 graus atendem a maioria das pessoas e deixam margem para o ventilador de teto fazer o resto. O modo sleep, ou econômico, aproveita isso: ele eleva a temperatura em um ou dois graus ao longo da madrugada, quando o corpo está sob o cobertor e o metabolismo cai, e você não percebe a diferença. O timer resolve o outro lado, desligando o aparelho de madrugada em vez de deixá-lo trabalhando até o despertador.

Deixar ligado o dia todo é melhor? Depende

Essa é uma das discussões mais confusas do tema, e a razão é que a resposta muda com a tecnologia e com o intervalo.

A meia-verdade útil: num inverter em uso contínuo, com saídas curtas de 15 ou 30 minutos, manter ligado em temperatura estável costuma sair melhor do que desligar e religar. Cada religamento traz de volta a fase de puxada, que é a mais cara, enquanto a operação parcial de manutenção é barata. Desligar por 20 minutos e depois pagar 20 minutos de carga máxima não é economia.

A parte falsa: isso não vale para ausências longas. Deixar o aparelho ligado durante as 9 horas em que ninguém está em casa é pagar para refrigerar cômodo vazio, e nenhuma economia de partida compensa 9 horas de operação. Também não vale para o convencional on/off, que fica ciclando em potência máxima de qualquer jeito, então mantê-lo ligado só soma ciclos.

A regra prática que funciona: pausas curtas, deixe ligado; ausências de mais de uma hora, desligue. E o timer, tanto para ligar antes de chegar quanto para desligar de madrugada, cobre os dois casos sem exigir disciplina.

Filtro, manutenção e vedação

Três problemas silenciosos inflam a conta sem que o aparelho pareça defeituoso:

Vale checar também as duas condições mais óbvias e mais esquecidas: manter portas e janelas fechadas com o aparelho ligado, e não deixar móvel ou cortina bloqueando o fluxo da unidade interna. Outras medidas do tipo estão reunidas no guia de como economizar energia em casa.

Quanto o ar pesa na sua conta de luz

Para saber o peso real, compare o consumo estimado do aparelho com o consumo total em kWh da sua fatura. Se a conta de dezembro registrou 250 kWh e a de janeiro, 540 kWh, os cerca de 288 kWh do split explicam praticamente todo o salto. Esse tipo de comparação vale mais do que qualquer média, porque usa o seu histórico.

Sobre a bandeira tarifária: ela adiciona um valor por 100 kWh consumidos, e é bem menor do que a fama sugere. Nos 288 kWh do exemplo, a bandeira amarela, com adicional de R$ 1,885 por 100 kWh, soma cerca de R$ 5,43. A vermelha patamar 1, com R$ 4,463, soma cerca de R$ 12,85, e a vermelha patamar 2, com R$ 7,877, cerca de R$ 22,69. Os adicionais são revisados pela ANEEL e a bandeira vigente muda mês a mês, como detalha o guia sobre bandeira tarifária. O que domina a conta continua sendo o consumo em si.

Quem usa o ar muitas horas por dia durante boa parte do ano às vezes chega à pergunta seguinte, que é sobre geração própria. O guia energia solar vale a pena e a calculadora de energia solar tratam desse lado. E se você quiser saber qual outro aparelho briga pelo primeiro lugar da fatura, a resposta costuma ser o chuveiro: veja a calculadora de chuveiro elétrico.

Erros comuns

Limitações deste guia

Os valores aqui são estimativas educacionais e não substituem a medição real nem projeto de climatização. O modelo usado é o mais simples possível, potência constante multiplicada pelo tempo, e ele ignora o comportamento momento a momento do compressor. Em aparelhos inverter, isso significa que usar a potência nominal superestima o consumo, e por isso os cenários de inverter neste guia trabalham com uma potência média hipotética, escolhida por você.

As potências típicas por faixa de BTU são orientativas e vieram das referências usadas na calculadora do ValorFinal; o seu aparelho pode estar em qualquer ponto da faixa indicada. As regras de dimensionamento por área são heurísticas de mercado, não cálculo de carga térmica: ambientes atípicos, uso comercial ou instalações com dutos pedem avaliação de profissional habilitado. Os adicionais de bandeira citados são a referência versionada no projeto e mudam quando a ANEEL revisa os valores. Rode o seu caso na calculadora de consumo de ar-condicionado e veja como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

O ar-condicionado é caro porque junta potência alta com muitas horas, e não porque tem muitos BTUs. Separe as duas ideias e o resto fica fácil: o BTU decide se o aparelho dá conta do cômodo, o watt decide quanto você paga, e a multiplicação por horas e dias entrega o número da fatura. Dimensionar certo, ajustar o termostato em 23 a 24 graus, manter o filtro limpo, vedar o ambiente e usar timer atacam as variáveis que estão de fato na sua mão. A escolha entre convencional e inverter deixa de ser fé quando você roda os dois cenários com as suas horas e a sua tarifa. Para isso, use a calculadora de consumo de ar-condicionado, compare com os outros aparelhos na calculadora de consumo de energia, confira o efeito na fatura com a calculadora de conta de luz, conheça as demais calculadoras de energia e veja como validamos os cálculos.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (ANEEL / Procel / física básica). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual a relação entre BTU e potência em watts?
Não existe conversão direta útil. O BTU/h mede a capacidade de refrigeração, ou seja, quanto calor o aparelho tira do ambiente. A potência em watts é a energia elétrica que ele puxa da tomada para fazer isso, e é ela que aparece na conta. Dois aparelhos de 12.000 BTU podem consumir potências bem diferentes conforme a eficiência. Como referência das potências típicas usadas no ValorFinal: 9.000 BTU perto de 900 W, 12.000 BTU perto de 1.200 W, 18.000 BTU perto de 1.800 W e 24.000 BTU perto de 2.400 W. Para o seu caso, use sempre a potência da etiqueta do aparelho.
Como calcular o consumo mensal do ar-condicionado?
Consumo em kWh = (potência em watts ÷ 1000) × horas de uso por dia × dias de uso no mês. Depois, custo = consumo em kWh × tarifa em R$/kWh. Um split de 1.200 W ligado 8 horas por dia durante 30 dias consome 1,2 × 8 × 30 = 288 kWh. A uma tarifa de R$ 0,85/kWh, isso dá 288 × 0,85 = R$ 244,80 no mês. É a mesma fórmula que a calculadora de consumo de ar-condicionado aplica.
Quanto custa por hora deixar o ar-condicionado ligado?
Divida a potência por 1.000 para achar o consumo por hora e multiplique pela tarifa. Um aparelho de 1.200 W consome 1,2 kWh a cada hora, o que dá R$ 1,02 por hora a R$ 0,85/kWh. Um de 900 W custa cerca de R$ 0,77 por hora e um de 2.400 W, cerca de R$ 2,04 por hora. Em modelos inverter, esse valor é o teto: depois que o ambiente esfria, o compressor modula e a média por hora cai.
O modelo inverter consome menos?
Em uso prolongado, sim. O compressor convencional só sabe operar em duas condições, ligado no máximo ou desligado, e repete esse ciclo o tempo todo. O inverter varia a rotação do compressor e, depois que o ambiente atinge a temperatura, passa a trabalhar em potência reduzida apenas para compensar o calor que entra. Menos partidas em carga máxima e menos oscilação significam consumo médio menor. A vantagem some em uso muito curto, de meia hora aqui e ali, porque o aparelho quase não sai da fase de puxada inicial.
Vale a pena pagar mais caro por um inverter?
Depende de quantas horas por dia você usa e de quantos meses por ano. A conta é simples: estime o consumo dos dois cenários e veja em quanto tempo a diferença de conta cobre a diferença de preço. Um 12.000 BTU convencional de 1.200 W em 8 h/dia por 30 dias gasta 288 kWh, ou R$ 244,80 a R$ 0,85/kWh. Se o inverter equivalente ficar com média de 700 W no mesmo uso, são 168 kWh, ou R$ 142,80. A diferença é de R$ 102 por mês de uso intenso. Quem usa o ar quatro meses por ano recupera cerca de R$ 408 por ano nessa hipótese. Quem liga o aparelho poucas vezes no ano demora muito mais para compensar.
Quantos BTUs preciso para o meu quarto?
A regra prática parte de 600 BTU/h por metro quadrado em cômodo sem sol direto e 800 BTU/h por metro quadrado em cômodo ensolarado, considerando uma pessoa. Depois soma-se cerca de 600 BTU/h por pessoa a mais e outros 600 BTU/h por aparelho que gera calor, como computador, TV grande ou forno. Como referência de faixa: 9.000 BTU para até cerca de 12 m², 12.000 BTU de 15 a 20 m², 18.000 BTU de 25 a 30 m² e 24.000 BTU a partir de 35 m². Pé-direito alto, telhado sem laje e paredes com muita insolação empurram para cima.
Aparelho maior que o necessário gasta menos ou mais?
Nenhum dos dois extremos é bom. O subdimensionado nunca alcança a temperatura ajustada, fica em carga máxima o tempo inteiro e some com o conforto e com a economia. O muito superdimensionado esfria rápido demais, desliga logo e volta a ligar, e nesse liga e desliga curto ele retira pouca umidade e trabalha fora da faixa de melhor rendimento. O caminho é o dimensionamento próximo da carga térmica real do cômodo.
Qual a temperatura ideal para economizar?
Em torno de 23 a 24 graus costuma equilibrar conforto e conta. Quanto menor a temperatura ajustada, maior a diferença entre o ambiente e o lado de fora, e mais calor entra pelas paredes e frestas para o compressor ter que remover de novo. Não existe um percentual fixo por grau que valha para toda casa, porque isso depende do isolamento, do sol e da ocupação. Na prática, baixar o termostato de 24 para 20 graus faz o compressor trabalhar mais tempo em carga alta e a conta sobe junto.
Colocar 18 graus esfria mais rápido?
Não. O ar-condicionado doméstico não tem acelerador: ele retira calor na capacidade que tem, e o termostato só define quando parar. Ajustar 18 graus não apressa a queda de temperatura, apenas faz o aparelho continuar refrigerando depois do ponto em que você já estaria confortável. Para esfriar mais rápido, o que ajuda é fechar o ambiente, usar o modo de ventilação alta no começo e reduzir as fontes de calor.
É melhor deixar o ar ligado o dia todo ou ligar e desligar?
Depende do intervalo. Em um inverter usado de forma contínua, com pausas curtas, manter ligado em temperatura estável costuma ser melhor do que desligar e religar, porque cada religamento traz de volta a fase de puxada em carga alta. Para ausências longas, de horas, deixar ligado é desperdício: você paga para refrigerar cômodo vazio. Em aparelho convencional on/off, o argumento de manter ligado é mais fraco ainda, já que ele fica ciclando em potência máxima de qualquer forma.
Filtro sujo aumenta o consumo?
Sim, e é uma das causas mais fáceis de resolver. O filtro entupido reduz o fluxo de ar sobre a serpentina, então o aparelho troca menos calor por minuto e precisa de mais tempo ligado para chegar à mesma temperatura. Mais tempo ligado é mais kWh no fim do mês. A recomendação usual é limpar o filtro a cada duas a quatro semanas em uso frequente e manter a unidade externa livre de sujeira e obstrução.
Usar ventilador junto com o ar-condicionado ajuda?
Ajuda. O ventilador não resfria o ar, ele move o ar e aumenta a sensação de frescor sobre a pele, o que permite manter o termostato um ou dois graus mais alto com o mesmo conforto. Como um ventilador de teto trabalha na casa das dezenas de watts, contra mais de mil watts de um split, a troca costuma sair barata. O ganho vem de deixar o compressor trabalhar menos, não do ventilador em si.
O que mais aumenta o consumo do ar-condicionado?
As horas de uso, em primeiro lugar: elas multiplicam tudo o mais na fórmula. Depois vêm a potência do aparelho, a temperatura ajustada, a vedação do cômodo, a insolação, o estado do filtro e do trocador, e o dimensionamento. Portas e janelas abertas, cortina sem blackout em janela de sol da tarde e frestas embaixo da porta jogam contra todo o resto.
O selo Procel garante economia?
O selo indica que o modelo está entre os mais eficientes da sua categoria nos ensaios do Programa Brasileiro de Etiquetagem, o que é um bom sinal. Ele não é uma promessa de valor de conta, porque a conta depende do seu uso, da sua tarifa e do seu ambiente. Dois compradores do mesmo modelo classe A podem ter contas muito diferentes se um usar 4 horas por dia e o outro 12.
A bandeira tarifária muda o custo do ar-condicionado?
Muda, mas menos do que a maioria imagina. A bandeira é um adicional por 100 kWh consumidos. Um consumo de 288 kWh sob a bandeira amarela, com o adicional de R$ 1,885 por 100 kWh, acrescenta cerca de R$ 5,43. Sob a vermelha patamar 1, com R$ 4,463, são cerca de R$ 12,85, e sob a vermelha patamar 2, com R$ 7,877, cerca de R$ 22,69. O peso maior continua sendo o próprio consumo e a tarifa base da distribuidora.