Antes de assinar um empréstimo, vale entender de onde vem a parcela, quanto dela é juro e qual o custo total no fim do contrato. A conta não é difícil, mas tem armadilhas, principalmente na distância entre a taxa anunciada e o valor que você realmente paga. Neste guia você vê como a parcela é calculada na tabela PRICE e no sistema SAC, um exemplo resolvido em reais, a diferença entre juros e CET, o peso do prazo e o que observar para não pagar caro. Para simular direto, use a calculadora de empréstimo pessoal. Este conteúdo é educativo e não é recomendação de crédito.
Resposta rápida
- A parcela na tabela PRICE é fixa: PMT = PV × i / (1 - (1+i)^-n). Exemplo: R$ 10.000,00 a 3% ao mês em 24 vezes dá R$ 590,47.
- O número que importa para comparar propostas é o CET (Custo Efetivo Total): junta juros, IOF, tarifas e seguros, não só a parcela.
- Taxa de 3% ao mês equivale a 42,58% ao ano (juros compostos), e não a 36%. Nunca multiplique a taxa mensal por 12.
- Prazo longo reduz a parcela mas multiplica os juros; amortizar antes corta os juros futuros.
Os componentes de um empréstimo
Todo cálculo de empréstimo gira em torno de cinco grandezas. Entender o papel de cada uma deixa o resto do guia simples:
- Valor principal (PV): quanto você pega emprestado, o valor liberado.
- Taxa de juros (i): quase sempre mensal, aplicada sobre o saldo devedor a cada mês.
- Prazo (n): o número de parcelas do contrato.
- Parcela (PMT): o valor pago por mês.
- Custo total: a soma de todas as parcelas mais os encargos (tarifas, seguros e IOF).
A partir de PV, i e n, uma fórmula devolve a parcela. Os juros totais são a diferença entre tudo o que você paga e o que pegou emprestado. E o custo real, aquele que vale para comparar propostas, aparece no CET, que veremos adiante.
Juros x CET: o número que realmente importa
Aqui está o erro mais caro de quem contrata crédito: olhar só a taxa de juros ou só a parcela. A taxa de juros é apenas uma parte do custo. O CET (Custo Efetivo Total), definido e exigido pelo Banco Central, reúne tudo o que você paga: os juros mais a tarifa de cadastro, o seguro prestamista, o IOF, eventuais taxas de avaliação e qualquer outro encargo do contrato. Ele é expresso como uma taxa percentual ao ano e mostra o custo real do dinheiro.
Duas propostas podem ter a mesma taxa de juros mensal e CET bem diferente, porque uma embute mais seguro ou uma tarifa maior. Por isso, a única comparação justa entre bancos é pelo CET, nunca pela parcela isolada nem pela taxa anunciada. Peça o CET por escrito antes de assinar: é sua por lei. Para estimar o custo efetivo de uma proposta, use a calculadora de CET.
Taxa mensal x taxa anual: por que não se multiplica por 12
Bancos costumam anunciar a taxa ao mês, mas a comparação e a propaganda às vezes aparecem ao ano. O erro comum é converter multiplicando por 12. Juros de empréstimo são compostos: cada mês rende juros sobre o saldo, que já inclui os juros anteriores. A conversão correta usa potência, não multiplicação:
- De mensal para anual: taxa anual = (1 + i)^12 - 1.
- De anual para mensal: taxa mensal = (1 + i)^(1/12) - 1.
Uma taxa de 3% ao mês equivale a 42,58% ao ano, e não a 36%. A diferença de mais de seis pontos percentuais é o efeito dos juros compostos. Para converter qualquer taxa entre períodos, use a calculadora de taxa equivalente; para visualizar como os juros compostos crescem no tempo, veja a calculadora de juros compostos e o guia sobre juros simples e juros compostos.
A fórmula da parcela na tabela PRICE
A tabela PRICE é o sistema de parcelas fixas, o mais usado em empréstimo pessoal e financiamento de veículo. A parcela sai desta fórmula:
- PMT = PV × i / (1 - (1+i)^-n)
onde PMT é a parcela, PV o valor emprestado, i a taxa mensal em decimal (3% vira 0,03) e n o número de parcelas. Vamos resolver passo a passo com um empréstimo de R$ 10.000,00 a 3% ao mês em 24 parcelas:
- i = 0,03 e n = 24.
- (1 + 0,03)^-24 = 1,03^-24 = 0,49193.
- 1 - 0,49193 = 0,50807.
- 10.000 × 0,03 = 300.
- 300 / 0,50807 = R$ 590,47 por mês.
Em 24 meses, isso soma R$ 14.171,28, ou seja, R$ 4.171,28 de juros sobre os R$ 10.000,00 emprestados. E esse número considera só os juros: tarifas, seguro e IOF aumentam ainda mais o custo real, e é por isso que o CET importa. A calculadora de empréstimo pessoal faz essa conta e mostra a memória de cálculo completa.
Como a parcela se divide: amortização e juros ao longo do tempo
Na PRICE, a parcela é fixa, mas a composição dela muda todo mês. No começo, a maior parte é juro e pouco amortiza a dívida. Com o tempo, a proporção se inverte: os juros caem porque o saldo devedor diminui, e a parte que amortiza cresce. A tabela abaixo mostra a divisão da parcela de R$ 590,47 do exemplo (R$ 10.000,00 a 3% ao mês em 24 vezes):
| Parcela | Juros | Amortização | Saldo devedor |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 300,00 | R$ 290,47 | R$ 9.709,53 |
| 6 | R$ 253,74 | R$ 336,73 | R$ 8.121,13 |
| 12 | R$ 188,39 | R$ 402,08 | R$ 5.877,64 |
| 18 | R$ 110,37 | R$ 480,10 | R$ 3.198,82 |
| 24 | R$ 17,20 | R$ 573,42 | R$ 0,00 |
Na primeira parcela, R$ 300,00 dos R$ 590,47 são juros. Na última, o juro cai para R$ 17,20 e quase tudo amortiza. É por isso que quitar antecipadamente costuma valer a pena no início do contrato: você corta os juros futuros, que ainda são a maior fatia.
O sistema SAC: parcela decrescente
No SAC (Sistema de Amortização Constante), o que se mantém fixo é a amortização, e não a parcela. Você divide o valor financiado pelo número de meses e amortiza sempre esse mesmo valor. Como os juros incidem sobre um saldo devedor que só diminui, a parcela começa mais alta e vai caindo mês a mês.
Num financiamento de R$ 20.000,00 a 2% ao mês em 36 parcelas, a amortização é fixa em R$ 555,56 (20.000 dividido por 36). A primeira parcela soma essa amortização mais 2% de R$ 20.000,00, chegando a R$ 955,56. A última cai para R$ 566,67, porque o saldo devedor já está quase zerado. No total, o SAC paga R$ 7.400,00 de juros, contra R$ 8.247,76 da PRICE no mesmo cenário. Você pode montar essa tabela completa na calculadora SAC x PRICE.
PRICE x SAC: qual escolher
Os dois sistemas quitam a mesma dívida, mas de jeitos diferentes. A PRICE tem parcela fixa, mais fácil de encaixar no orçamento, e paga um pouco mais de juros no total. O SAC começa mais pesado e alivia com o tempo, pagando menos juros. Financiamentos imobiliários usam muito o SAC; empréstimos pessoais e de veículo, quase sempre a PRICE.
| Característica | PRICE | SAC |
|---|---|---|
| Parcela | Fixa do início ao fim | Decrescente |
| Amortização | Crescente | Constante |
| Parcela inicial | Menor | Maior |
| Total de juros | Maior | Menor |
| Melhor para quem | Quer previsibilidade e parcela estável | Aguenta parcela inicial alta e quer pagar menos juros |
| Uso típico | Empréstimo pessoal, veículo | Financiamento imobiliário |
No exemplo de R$ 20.000,00 a 2% ao mês em 36 vezes, a diferença de juros entre os dois sistemas é de cerca de R$ 848,00 a favor do SAC. Para entender o SAC no contexto de imóveis, veja os guias de financiamento imobiliário do zero e de alugar ou comprar imóvel.
O IOF no crédito
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre empréstimos e financiamentos a pessoa física e entra no CET. Ele tem duas partes: uma alíquota fixa sobre o valor da operação e uma parcela diária proporcional ao prazo, até um limite. As alíquotas são definidas por decreto e foram alteradas em 2025, então o percentual exato pode mudar com o tempo. O ponto prático é constante: o IOF encarece o crédito e, por já estar embutido no CET, é mais um motivo para comparar propostas por esse número, e não pela parcela nua. Quanto maior o prazo, maior o IOF acumulado da parcela diária.
O efeito do prazo: parcela menor, juros maiores
Esticar o prazo é a forma mais fácil de reduzir a parcela, e também a mais cara. Como a dívida fica mais tempo rendendo juros, o total pago dispara. A tabela abaixo usa o mesmo empréstimo de R$ 10.000,00 a 3% ao mês e só muda o número de parcelas:
| Prazo | Parcela | Total pago | Juros totais |
|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 1.004,62 | R$ 12.055,44 | R$ 2.055,44 |
| 24 meses | R$ 590,47 | R$ 14.171,28 | R$ 4.171,28 |
| 36 meses | R$ 458,04 | R$ 16.489,44 | R$ 6.489,44 |
| 48 meses | R$ 395,78 | R$ 18.997,44 | R$ 8.997,44 |
Repare no contraste: dobrar o prazo de 24 para 48 meses corta a parcela de R$ 590,47 para R$ 395,78, mas mais que dobra os juros, de R$ 4.171,28 para R$ 8.997,44. A parcela cabe melhor no mês, e o preço disso é quase R$ 5.000,00 a mais de juros. Simule vários prazos na calculadora de parcelas antes de decidir.
Amortização antecipada e o desconto de juros
Quando sobra dinheiro, adiantar o pagamento de parte da dívida é uma das formas mais eficientes de economizar. Ao amortizar, você reduz o saldo devedor e, com ele, os juros futuros que incidiriam sobre esse saldo. O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 52, assegura o desconto proporcional dos juros ainda não vencidos na liquidação antecipada, total ou parcial. A instituição não pode cobrar juros do prazo que você deixou de usar.
Na amortização parcial, você costuma escolher entre duas opções: reduzir o valor da parcela mantendo o prazo, ou reduzir o prazo mantendo a parcela. Reduzir o prazo economiza mais juros, porque tira meses inteiros de cobrança do fim do contrato. Vale sobretudo no início, quando os juros ainda são a maior parte da parcela, como mostra a tabela de composição acima.
Juros abusivos: como identificar
Não existe um teto único em lei para os juros de empréstimo comum, o que gera muita dúvida. O caminho para avaliar se uma taxa é abusiva é comparar. O Banco Central divulga as taxas médias de mercado por modalidade, e a jurisprudência costuma considerar abusiva a taxa que fica muito acima dessa média sem justificativa. Na prática: pegue o CET da sua proposta, veja a taxa média divulgada para a mesma modalidade (pessoal, consignado, veículo) e o mesmo prazo, e compare. Se a sua estiver bem acima, há espaço para negociar, buscar outro banco ou usar a portabilidade.
Consignado, pessoal, cartão e cheque especial
O tipo de crédito muda muito o custo, porque muda o risco para quem empresta. Em ordem de grandeza, do mais barato ao mais caro:
- Consignado: a parcela é descontada direto da folha ou do benefício, o que reduz o risco de calote e, com isso, a taxa. Costuma ser o crédito mais barato para quem tem acesso.
- Empréstimo pessoal: sem garantia atrelada, tem taxa maior que o consignado, mas ainda bem menor que o rotativo do cartão.
- Cheque especial: crédito de emergência caro, cobrado por dia de uso do limite. Serve para tapar buracos curtos, nunca para dívida longa.
- Rotativo do cartão de crédito: o que sobra quando você paga só o mínimo da fatura. É um dos créditos mais caros do país e deve ser evitado ou quitado o quanto antes.
Essas posições são gerais: a taxa exata depende do banco, do seu perfil e do momento. Para entender o custo do rotativo, veja o guia sobre os juros do cartão de crédito. E, antes de recorrer ao crédito caro, uma reserva ajuda a não cair nele; veja onde deixar a reserva de emergência.
Refinanciamento e portabilidade de crédito
Se você já tem um empréstimo caro, dá para reduzir o custo sem quitar tudo de uma vez. A portabilidade de crédito, garantida pela regulação do Banco Central, permite transferir a dívida para outro banco que ofereça CET menor. O banco de origem pode fazer uma contraproposta para segurar você, o que já costuma render desconto. É diferente do refinanciamento, em que você renegocia com o mesmo banco, muitas vezes esticando o prazo, o que reduz a parcela mas pode aumentar o total de juros. Compare sempre o CET novo com o antigo, e não apenas a parcela.
Erros comuns ao contratar
- Olhar só a parcela ou a taxa anunciada, e não o CET, que é o custo real.
- Esticar o prazo demais para caber a parcela, pagando muito mais juros.
- Multiplicar a taxa mensal por 12, subestimando a taxa anual efetiva.
- Não simular antes de assinar, aceitando a primeira proposta.
- Ignorar seguros e tarifas embutidos, que inflam o CET.
- Usar rotativo do cartão ou cheque especial como se fossem empréstimo comum.
Limitações deste guia
Os exemplos são estimativos e usam a tabela PRICE ou o SAC com taxa constante, sem embutir tarifas, seguros e IOF. O custo real do seu contrato depende do CET informado pela instituição, que inclui esses encargos. As ordens de grandeza entre modalidades de crédito são gerais e variam com o banco, o perfil e o momento. Este conteúdo é educativo e não é recomendação de crédito nem promessa de aprovação. Confirme sempre as condições por escrito e veja como validamos os cálculos.
Calculadoras deste tema
- Calculadora de empréstimo pessoal: parcela pela PRICE, juros totais e custo final.
- Calculadora de CET: estima o custo efetivo total, com juros, tarifas e encargos.
- Calculadora SAC x PRICE: compara os dois sistemas de amortização lado a lado.
- Calculadora de parcelas: compara cenários de parcela e prazo.
- Calculadora de taxa equivalente: converte taxa mensal em anual e vice-versa.
- Calculadora de juros compostos: mostra o efeito dos juros no tempo.
- Calculadora de financiamento de veículo: parcela e custo de um financiamento de carro ou moto.
Fontes oficiais
- Banco Central do Brasil (Custo Efetivo Total): definição do CET e obrigação da instituição de informar o custo total.
- Banco Central (Portabilidade de Crédito): regras para transferir a dívida a outra instituição com custo menor.
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990, art. 52): direito ao desconto proporcional dos juros na liquidação antecipada.
Conclusão
Calcular um empréstimo é entender três coisas: como a parcela é formada (PRICE, de parcela fixa, ou SAC, de parcela decrescente), quanto dela é juro em cada momento e qual o custo total no fim, medido pelo CET. Prazos longos aliviam o mês mas encarecem muito o total; amortizar antes e usar a portabilidade cortam o custo de dívidas já contratadas. Antes de assinar, compare sempre pelo CET, nunca pela parcela isolada, e simule na calculadora de empréstimo pessoal. Explore as demais calculadoras financeiras e veja como validamos os cálculos.
